sexta-feira, dezembro 30, 2011

Eu não tenho nada haver com isso



1-Parece estranho, mas é isso que devemos adotar em nossas vidas. Uma atitude de menos preocupação com a vida alheia. Quanto mais isso acontece, mais você se preocupa em fazer de tudo para manter as aparências, mostrar que é bonzinho e merece ser amado. Não seja o que os outros querem que você seja. Você não tem nada haver com o que pensam sobre você. É direito delas gostar ou não do que você é.

2- Assista menos noticiários da TV. Já percebeu as mensagens negativas que recebe diariamente em sua casa, cobertas de medo, terror, pessimismo. Na minha casa não vejo, nem meu filho vê. Por que preciso saber quem matou quem, ou se roubaram isso ou aquilo?

3- Não se culpe, seja cúmplice de si mesmo. Uma coisa é acusarem você de algo, mas você se acusar é inútil, pois dentro de você está guardado seu consolador. Quanto mais culpa, mais dor, menos você irá querer estar sozinho contigo e irá buscar consolo nos outros, se tornará dependente afetivo. Dependente da aprova;cão alheia.

4- Não tente impedir o rio, deixe ele correr sozinho. Como diz Gasparetto: "Toda sensação de perda vem da falsa sensação de posse"

5- Não busque no outro aquilo que você não consegue dar a si mesmo, principalmente amor

6- Acredite que você merece vivenciar o amor genuíno. Atualmente, quase ninguém acredita em amor! As pessoas sofrem tanto por amar a pessoa errada que deixam de acreditar ou têm medo descobrir o que é amar verdadeiramente e sentir-se amado.


7- "Que Deus esteja sempre com você, mas acima de tudo, que
você esteja sempre com Deus."
Luiz Gasparetto


Com essas frases me despeço de todos. Estarei fora alguns dias e só volto depois que o ano novo pintar em nossas vidas
Aliás espero não voltar a mesma, desejo para todos o que desejo também para mim
Que não percam a capacidade de se reinventar a cada dia, a cada ano e a sensação de que festa acontece todo dia quando acordamos e ganhamos a oportunidade de vivenciar tudo de novo, até cansar, e sentir uma vontade louca de mudar e correr atrás do que sonhamos de verdade.

Obrigada a todos que estão por aqui todo dia, e aqueles que estão de vez em quando, aqueles que visitam o athelie pessoalmente.

quinta-feira, dezembro 29, 2011

Não fazer mais nada



“Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue;outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho…o de mais nada fazer.”

Clarice Lispector

segunda-feira, dezembro 26, 2011

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Existe Alma Gêmea?


Várias pessoas me escrevem dizendo que tem dúvida acerca do amor de sua vida.
Chamem como quizerem: alma gêmea, amor da vida, o escolhido de Deus...
no fundo a intenção é a mesma.

É incrível como temos dúvidas quando estamos nos relacionando com alguém
Opa! Eu disse DÚVIDA.
Esse já é um sinal.

Dia desses conversava com uma amiga muito querida e ela disse que já havia encontrado com sua alma gêmea, mas que foi no passado, e hoje já tem marido e filhos e, simplesmente, desistiu...

Outra pessoa, também querida, disse que desistiu, pois se ama apenas duas vezes na vida, e não deu certo com ela.. (?)
Me pergunto o que leva sempre alguém a acreditar que não merece usufruir da plenitude de poder vivenciar o poder do amor genuino.
Dizia um terapeuta, mestre Nilton: "Sabe o que acontece quando você encontra sua alma gêmea e não está preparado para ela? Você simplesmente chuta para bem longe."

Pensando nisso trouxe trechos de Cristina Cairo, que é uma estudiosa do assunto:

As pessoas que já encontraram sua alma gêmea confirmaram na prática, sem margem de erro, que ela existe. Mas aqueles que se sentem incompletos e infelizes nos relacionamentos amorosos se desestimulam e não acreditam nessa possibilidade.
Alma gêmea você pode encontrar dentro de sua família, como um irmão, pai, mãe, primos, pela igualdade de pensamentos e sentimentos, mas a alma gêmea no relacionamento amoroso só pode ser encontrada quando a pessoa está preparada para se dividir.

Os modelos de amores que carregamos no inconsciente nos induzem a procurar parceiros que correspondam a esses moldes.
Entre nossas maiores fontes de inspiração para idealizar um casal estão nossos pais, porque participamos de seu cotidiano, desde o nosso nascimento. Assim, o relacionamento deles funciona como um modelo que a gente reproduz na vida adulta, até mesmo sem perceber.
Vamos a alguns exemplos.

Se uma menina perdeu o pai logo na sua infância ou se ele foi ausente, viajante e mulherengo, ela só se identificará, no futuro, com homens que sejam ausentes ou que sempre a abandonam, como se estivesse repetindo a vida de sua mãe.

Se uma menina teve um pai submisso à sua esposa autoritária ou um pai presente fisicamente, mas alheio às necessidades da filha, ela se identificará com homens fracos, sempre dominados pela mulher.


Se uma criança presenciou brigas, gritos, hostilidades e desrespeitos no relacionamento dos seus pais, crescerá com a tendência e envolver-se em relacionamentos semelhantes ou, então, evitará qualquer envolvimento mais sério, que tenda a evoluir para o casamento. Assim, evita reviver a infância conturbada.
Homens que têm dificuldade de lidar com uma mãe chantagista, autoritária, ausente ou de gênio difícil encontrarão no futuro mulheres que lembram sua mãe, tanto nos defeitos como nas qualidades.
Se um menino foi criado por outra mulher que não tenha sido sua mãe, será esse modelo que ele registrará em seu inconsciente para no futuro escolher uma esposa.


Diversas vezes encontrei homens e mulheres que negaram ver em seus parceiros comportamentos parecidos com os de seus pais, até que expliquei como identificá-los.
Basta você lembrar de sua infância, revivendo sentimentos de mágoa (por exemplo) que sentiu em relação a eles, e depois compare ao que você sente hoje quando seus parceiros o magoam ou assustam.
 Um pai alcoólatra, por exemplo, pode fazer com que a filha, quando adulta, sinta atração por abstêmios, mas ausentes, como representação de seu pai, pois todo alcoólatra é ausente.

Normalmente, identifico mulheres que sentem atração por homens ausentes por seu culote. De acordo com a linguagem do corpo, essa parte lateral externa da coxa aumentada representa uma mulher que teve pai ausente, seja por ser alcoólatra, autoritário, viajante, doente, mulherengo, submisso à esposa. Pela bioenergética, o culote representa o pai.

As pessoas que nos atraem, e junto das quais permanecemos por um bom tempo, não são necessariamente nossas almas gêmeas, apenas significam resgates de conflitos inconscientes guardados contra quem nos criou ou apego exagerado a nossos pais. Terapias costumam desvendar esses impulsos e ajudar o cliente a romper com modelos não-positivos.

Sua alma gêmea pode não ter nenhuma das características observadas em seus familiares, e só vai aparecer quando você estiver livre da ansiedade de encontrá-la.
Ela pode surgir no pior momento da sua vida e, como semelhante atrai semelhante, ela também estará no pior momento da vida dela.

 Pode acontecer que ambos não estejam preparados para se assumir, pois ainda devem percorrer um longo caminho de espinhos para aprender como é o verdadeiro amor a dois. Pode haver uma separação e, depois de muito tempo, um reencontro, quando vocês estiverem amadurecidos.
A alma gêmea não trai sexualmente seu parceiro.
Existem casais que se amam muito, casaram-se, tiveram filhos, fizeram planos e não pretendem se separar, mesmo que tenha havido traição no relacionamento. Estamos falando, então, de um grande amor, mas não de almas gêmeas.
Mesmo entre os casais que optam pelo relacionamento aberto, permitindo-se vivenciar prazeres com outras pessoas sem quebrar seu compromisso, pode haver um alto grau de amizade, de cumplicidade, de tesão e também de medo inconsciente. Mas não são almas gêmeas no amor.
O amor de alma gêmea, mesmo que esteja livre para ter outros prazeres, não consegue ir avante, pois se sente completo e satisfeito internamente.


O freio ou a estabilidade sexual ocorre naturalmente quando encontramos nossa alma gêmea.
Alguns homens dizem que são mulherengos e gostam de estar com outras parceiras por prazer, mas na verdade é porque eles ainda não encontraram sua alma gêmea.
Existe o problema cultural secular que permitiu a liberdade sexual aos homens mas a vetou às mulheres. Não porque elas tenham menos necessidade de sexo. Os instintos são semelhantes, e na atualidade ambos têm o mesmo direito a buscar seu prazer, sem tanta repressão. Assim, adiam, inconscientemente, o encontro com suas almas gêmeas por medo de perder a liberdade conquistada.
Quando a alma está madura e os instintos em baixa, os caminhos se afunilam e a pessoa se torna mais seletiva. Daí fica muito mais fácil enxergar quem completará sua felicidade.
Visualize o tipo de pessoa que você deseja como sua alma gêmea. Veja com detalhes sua altura, cor de pele, cabelos, maneira de vestir, profissão, caráter e espiritualidade. Observe-se e reflita se você merece essa pessoa ou se ainda precisa se preparar mais um pouco para um relacionamento como esse.
Aceite-se, viva à sua maneira tranqüilamente, pois sempre existirá alguém que se sentirá muito feliz ao seu lado.
Alma gêmea existe, e, quando aparece, é para somar espiritualmente. O crescimento é mútuo.
Uma pessoa que coloca você pra baixo, que não reconhece ou admira suas qualidades e que não se dispõe a fazer aqueles pequenos gestos típicos de servir por amor não pode ser sua alma gêmea.
O respeito e a vontade saudável de servir ao parceiro revelam carinho e afeto, mas a confirmação de que alguém é nossa alma gêmea vem quando ambos resistem a tentações, sempre voltados um para o outro.
Para algumas pessoas isso parecerá careta ou mesmo ou mesmo auto-repressão por medo de perder alguém com quem se relacionam, mas, se for alma gêmea mesmo, jamais se sentirão reprimidos, pois estão satisfeitos um com o outro.
Visualize sua alma gêmea e espere, calmamente, sua chegada. Ela baterá a sua porta quando você menos esperar.Busque a Deus, seja uma pessoa cada vez melhor, e logo a pessoa certa estará com você.

Lembre-se de que a base da pirâmide da evolução está repleta de pessoas comuns e de perturbados; portanto, quanto mais você for subindo, menos pessoas haverá para escolher, até que, ao chegar ao topo, restará apenas uma, justamente aquela de uma alma muito linda, esperando por você. Mereça esse amor.


Extraído do livro A Lei da Afinidade da Editora Ediouro da autora Cristina Cairo.

”Tê-la nos meus braços era mais natural para mim do que batidas do meu próprio coração.”

- Diário de uma paixão

"Tê-la nos meus braços era mais natural para mim do que batidas do meu próprio coração.”


- Diário de uma paixão


quinta-feira, dezembro 15, 2011

Qual a sua urgência?



"Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas; minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos."

(Clarice Lispector)

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Por que escolher o caminho mais difícil?


profanofeminino.com

Minha vida está acontecendo por aí em algum lugar sem a minha presença.
Refaço mil vezes a mesma pergunta: por que busco situações, e também pessoas, difíceis para minha vida?
Você já se sentiu sequestrado? Que esta não é a vida que você planejou?
Se pergunta, sempre, se o caminho agora é "aceitar"?
Mas se você aceitar, poderá apenas entrar no caminho da acomodação.
Porisso pare de sonhar acordado.
Simplesmente aja, olhe para frente!
Não dê a ninguém a régua que mede seu valor!
Você não pode desistir, caso contrário, buscará sempre um culpado pelo fato de não ter persistido no seu desejo.

sexta-feira, dezembro 09, 2011

Desocupe a sua casa



"Tem dor que vira companhia. Olhando de perto, faz tempo que deixou de doer, só tem fama, mas a gente não solta. Quem sabe, pelo receio de não saber o que fazer com o espaço, às vezes grande, que ficará desocupado se ela sair de cena. Vazio é também terreno fértil para novos florescimentos, mas costuma causar um medo inacreditável.


Quando, finalmente, criou coragem e deixou de dar casa, comida e roupa lavada para a tal dor, ela desapareceu."

segunda-feira, dezembro 05, 2011

O que você faz com seu tempo?



Há um lado meu que pede: “Mande tudo para para o brejo” E outro que ainda insiste: “Mais um pouquinho de paciência, só um pouco mais.
Nisso já se foram 10 anos..

domingo, dezembro 04, 2011

A consciência da morte nos ajuda a viver




Uma das características do ser humano mortal é ter consciência de sua temporalidade. Ele não viverá  para sempre. A morte o acompanha desde o início do caminho.
Este sempre foi um drama terrível para os seres humanos.
Com respeito à consciência da morte, Reich questiona acerca de: por que perdemos a capacidade de nos sentir parte do todo? o que nos impede?
Enquanto o ser humano não se sentir parte do universo, não deixará de destruir a natureza, pois pensamos erroneamente, que não nos afeta diretamente.
Reich afirma que a falta da capacidade de nos sentirmos integrado através da consciência de que somos parte da natureza, ocorre porque, até mesmo nossa chegada ao mundo não foi adequada, isto é, não fomos bem recebidos.
Ao nascermos, somos afetados de diversas formas por agressões externas.
Tiram-nos de nossas mães logo após o parto, para limpar-nos, aplicar remédios, fazer exames, cortam o cordão umbilical antes de parar de pulsar.
Saimos de um ambiente de 36 graus do útero, e assim chegamos numa sala gelada, com luzes fortes, em fim...
Não deixam nossos pais embalarmo-nos em seus colos pois do contrário dizem que ficaríamos mal acostumadas. Algumas criações defendem a idéia de deixar as crianças chorando no berço até que aprendam a dormir sozinhas.
Quer dizer, as condições em que nossas energia bio psíquica vai se estruturando não são as que corresponderiam para um desenvolvimento adequado de nossa potencialidade.
Para nos defendermos disso, nos submergimos em uma couraça, que vai nos isolando do exterior e também da nossa própria essência.
Como consequência, nossa percepção se embrutece e nos impede de captar realidades essenciais e sutis.
Porisso dentro da orgonomia falamos da prevenção da autorregulação infantil onde, como pais, temos uma grande responsabilidade para permitir que o ser que chega ao mundo não tenha suas potencialidades limitadas.
Os primeiros anos de vida marcam as características básicas desse ser.
Nós morremos permanentemente, mas nos mantemos em dinâmicas de intemporalidade sem nos darmos conta de que tudo dura um certo tempo.
 Se recuperarmos o contato com a realidade do morrer, com nossa temporalidade, teremos mais motivos para aproveitar nossas capacidades e celebrar a vida.
Corroborando diversos autores, sabemos que a pessoa que é capaz de viver está mais preparada para morrer, ainda que isso pareça um paradoxo.
Se sou consciente de cada ato que realizo e das consequências desses atos no plano indivicual e coletivo, poderei expandir-me assumindo cem por cento da vida que vivo.

Xavier Serrano

terça-feira, novembro 29, 2011

Entenda a DEPENDÊNCIA AFETIVA



Todos conhecem a história: eles se conhecem e rapidamente se apaixonam. Vivem um período intenso em que aquele amor parece tudo e a sensação completude, eterna. As diferenças de comportamento e valores não importam, são detalhes frente a tanta sorte. Até que, com a passagem do tempo e o amadurecimento da relação, as diferenças começam a ficar mais acentuadas. A novidade já não é mais tão surpreendente assim, o frio na barriga se dissipa: chegou o cotidiano. E com ele aqueles "detalhes" que pareciam irrelevantes tomam um grande vulto.

Esse parece ser o caminhar de qualquer parceria afetiva iniciada com um belo encontro romântico, correto? Mas e os desfechos possíveis? Bom, são o motivo de inúmeras das mais lindas obras de arte, mas na prática são apenas dois: ficam juntos ou não. Se o casal aqui descrito for composto de duas pessoas adultas e relativamente saudáveis, espera-se que eles sejam capazes de fazer os ajustes necessários para que a relação perdure, negociando seus termos para que possam, ambos, viver de maneira satisfatória.

No entanto, se no casal houver um dependente afetivo, a chance de o final ser esse é bem menor. A dependência afetiva (ou Love Addiction em inglês) é caracterizada pela dependência em estar apaixonado. Sendo assim, é bem provável que o relacionamento acabe, pois o dependente afetivo não consegue estar vinculado ao outro de maneira menos intensa. Como ele sente que não consegue viver sem o outro, pode ficar patologicamente ciumento, ter oscilações de humor frente a ausências breves do companheiro e sente-se vazio quando o outro não está. Tal comportamento acaba gerando muitos desentendimentos, que, dependendo de sua intensidade, podem envolver agressões verbais e/ou físicas.

Todos nós fomos absolutamente dependentes de outro ser humano na primeira infância. Na maioria dos casos, das nossas mães. Elas foram absolutamente necessárias para alimentar-nos, limpar-nos e apresentar-nos ao mundo e às nossas próprias sensações através de sua presença tão importante. No entanto, na medida em que crescemos, elas nos encorajam a levar uma vida independente e nós nos alegramos com cada etapa vencida rumo à autonomia. O dependente afetivo, no entanto, parece ter ficado parcialmente enredado nessa etapa do desenvolvimento, e ainda espera que uma única pessoa satisfaça suas necessidades de afeto e completude, tal qual a mãe o fazia quando pequeno.

Anáclise é o nome técnico desta vinculação patológica entre duas pessoas adultas. Assim, o dependente afetivo pode viver a ausência da pessoa amada com uma reação muito intensa, como se fosse uma abstinência. Tal reação pode até ser violenta, dependendo do seu temperamento. Esta não é uma patologia descrita em manuais diagnósticos, mas podemos observá-la com alguma frequência em pacientes portadores de algumas patologias psiquiátricas, tais como os Transtornos de Personalidade Histriônica, Borderline, Dependente e também entre dependentes químicos. Em nossa cultura latina essa intensidade de afetos pode, para muitos, significar um grande amor. São muitos os homens que falam orgulhosos: "Minha mulher é ciumenta demais, me ligou trinta vezes ontem porque atrasei para chegar em casa". Muitas mulheres se envaidecem quando seus antigos parceiros as procuram em ocasiões impróprias e com insistência para retomar a relação fracassada. O controle que essas pessoas exercem sobre o outro pode ser mal traduzido como cuidado.

Por isso ouvimos falar tanto nesses desfechos trágicos de relações amorosas muito intensas. Entre tantos turbilhões fica difícil estabelecer diálogo para aparar as arestas, sempre presentes em qualquer relação humana. Não há espaço para meio-termo, para fala calma entre duas pessoas adultas que se querem bem. Sobram acusações, cada um culpando o outro pela morte daquela fase tão bela do encontro. Afinal, a paixão é um estado de espírito inconfundível e sinônimo de felicidade na nossa cultura ocidental. Lindo demais para acabar em tragédia.


Clínica Medicina do Comportamento - Site oficial da Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva

Texto da Dra. Ana Carolina Barcelos Cavalcante Vieira

Médica Psiquiatra - Universidade de Brasília

domingo, novembro 27, 2011

Você consegue ser simplesmente você?




"Até os 29, pensava que minha vida era agradar somente aos outros,
em vão não fui feliz. 
Agora, depois dos 30, decidi experimentar me agradar
e experimentar ser feliz..."











quarta-feira, novembro 23, 2011

Abandone a necessidade de ser reconhecido



A melhor forma de transformar o comportamento das crianças é elogiar tudo que elas fazem de bom e ignorar seu comportamento negativo. Sabe aquelas crianças e adolescentes mal criadas, ou que vivem com um sintoma ou outro de doença? Certamente o ego delas aprendeu que fazendo boas ações não recebiam reconhecimento, então começam a agir de forma impetulante, insistente, agressivos ou até mesmo ficando doentes gravemente porque assim o ego percebe que recebe atenção e reconhecimento.
Não é de propósito, isso acontece simplesmente por causa de um impulso inconsciente de sobrevivência do ego. Conheço pais que dizem a respeito dos próprios filhos “nossa, meu filho não tem jeito, ele é insuportável” ou ainda “você não sabe porque não está com ele todos os dias, só estou com o pai dele porque não daria conta sozinha”.  Imagine que estas crianças foram reforçadas em seu comportamento negativo e assim foram estruturando sua personalidade chamando atenção através do comportamento no qual era atendidas, ou seja, através do mal comportamento recebiam atenção, mesmo que seja uma atenção voltada para uma briga, um puxão de orelha ou uma surra.
Para o ego é melhor receber uma atenção negativa do que nenhuma atenção.

Mais tarde quando adultos, isso se torna uma prisão emocional, necessitamos de atenção e quando não a recebemos podemos compensá-la. É aí que entra a compulsão.
Por exemplo, uma pessoa que tem compusão alimentar, ou seja não consegue controlar seus impulsos alimentares, e por vezes através de uma sensação anterior, denomindada ansiedade, vai atrás de comida em busca de prazer, durante a satisfação deste prazer ela se sente aliviada, mas depois precisará de cada vez mais comida.
Mas porque esntão que essa pessoa não controla seus impulsos e come menos? Porque aí ela não sentiria alívio e prazer, tão almejado pela ansidedade de não ser reconhecida.
Uma pessoa que não tenha essa compulsão, irá sentir esse prazer sem o lado ruim da necessidade, sentindo-se saciada com uma pequena quantidade, que se for ultrapassada, poderá causar repulsa.

Para não mais depender da atenção e reconhecimento de outros (chefe, marido, filhos, pais e mães..) é preciso antes estabelecer um padrão de relacionamento sincero prioritário entre você e você mesmo. Esse relacionamento deve vir antes de todos os outros em ordem de importância, antes de pais, filhos, marido, em fim. 
Através deste realcionamento você poderá se perceber e manter um diálogo interno, distinguindo o que é meu e o que é do outro e abrindo a consciência para estar lúcido e perceber se me irrito com o outro, ou com algo que ele faz ou diz, ou se a irritação já estava dentro de mim, e eu uso o outro como desculpa para explicar a minha irritação.

Se algo que ele diz me irrita ou me deixa zangado, é porque se engancha em algo que está em mim. Se alguém disser : Acho que seu cabelo verde é ridículo, nem vou me importar porque não tenho cabelos verdes, mas, se a pessoa disser que estou gorda, ou qualquer outra coisa que me irrite, é porque esta colocação faz sentido para mim, é porque também penso isso de mim e não estou ok, em paz com isto.
O que o outro diz e me incomoda, na realidade só despertou um sentimento quanto a mim mesmo que já me incomodava, e que eu não tratei.
Se a pessoa foi rude, grosseira, insensível. Isto é problema dela, afinal, por que eu ficaria tão incomodada com o outro que é grosseiro? Ele tem todo o direito de falar o que quiser já que a boca é dele! Se ele fala algo grosseiro. É ele que é grosseiro. Se enganchou em mim, a solução é me analisar e conhecer meus ganchos.
 A melhor maneira para resolver esta relação é pensando no que acontece comigo e não naquilo que esta ruim com o outro. Afinal, só é possível mudar algo em mim, e é inutil ter a pretensão de modificar o outro.

 Bater na mesma tecla dizendo e redizendo sobre o que o outro tem que mudar é pura perda de tempo e não leva a nada. - Quando apontamos o dedo para o outro é mais útil olharmos primeiro para nós mesmos. Afinal, embora um dedo esteja apontado para frente, três outros dedos apontam para trás.

Quanto melhor for a relação que desenvolvo comigo mesmo mais sinto que existe dentro de mim algo que vale a pena e que posso confiar. Nessa relação de nós com a gente mesmo elevamos a autoestima, investimos em nós e desenvolvemos relacionamentos saudáveis em que pode haver dois. Portanto, antes de conviver com o outro precisamos poder conviver com a gente mesmo.
Quando há diálogo interno desenvolve-se uma captação maior de si mesmo e é possivel modular a percepção do outro e através da nossa percepção transformamos a do outro, influenciamo-la positiva ou negativamente.
Além do que, nossos conflitos externos nada mais são do que manifestações de nossos conflitos internos.
 Aquele que declara guerra ao outro, deixou de vencer a si mesmo e distinguir qual é conflito que vem das profundezas quando entra em conflito com o outro”. Afinal de contas o outro tem o direito de pensar diferente e agir diferente. Então, porque nos ofendemos tanto?
Caso contrário quando não há uma relação comigo, algo de essencial em mim deixa de existir então preciso desesperadamente do outro, se não houver o outro, só me resta ausência. É o perigo em entrar em uma relação – simbiotica. 
Posso separar o que é meu e o que é do outro. 
Certamente existem pessoas tóxicas e venenosas que podem nos fazer mal, no entanto, distinguir as razões que levaram tal pessoa a ser toxica para mim é bem mais útil do que simplesmente colocar toda a responsabilidade do meu mal estar no outro e ponto final.

sábado, novembro 19, 2011

Bipolaridade

Tudo tem alguma beleza, mas nem todos sao capazes de ver.


Minha bipolaridade não é doença, é escolha. Felicidade demais me enjoa, tristeza demais, hum, não preciso nem explicar. Ser chata faz parte, simpática é necessidade. Ou não, não passo o dia sem um surto de loucura. Tenho uma certa mania de dormir chorando de saudades. Irritante quebra o gelo, grossa impõe autoridade. Sendo infantil deixo de ser chata, sendo madura deixo de ser frágil.

 

sexta-feira, novembro 18, 2011

The life is short!!!

Existem duas razões para você não querer falar sobre um determinado assunto. Um: quando não significa nada. Dois: quando significa tudo.



"Eu estou vivendo uma coisa muito boa. Aquela coisa que a gente suspeita que nunca vai acontecer. Aconteceu.”



Caio Fernando Abreu





















 

segunda-feira, novembro 14, 2011

Des-Apego II



No mural do colégio da minha filha encontrei um cartaz escrito por uma mãe, avisando que estava vendendo tudo o que ela tinha em casa, pois a família voltaria a morar nos Estados Unidos. O cartaz dava o endereço do bazar e o horário de atendimento. Uma outra mãe, ao meu lado, comentou: .........._ Que coisa triste ter que vender tudo que se tem.
.........._Não é não, respondi, já passei por isso e é uma lição de vida.
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..........Morei uma época no Chile e, na hora de voltar ao Brasil, trouxe comigo apenas umas poucas gravuras, uns livros e uns tapetes. O resto vendi tudo, e por tudo entenda-se: fogão, camas, louça, liquidificador, sala de jantar, aparelho de som, tudo o que compõe uma casa. Como eu não conhecia muita gente na cidade, meu marido anunciou o bazar no seu local de trabalho e esperamos sentados que alguém aparecesse. Sentados no chão. O sofá foi o primeiro que se foi. Às vezes o interfone tocava às 11 da noite e era alguém que tinha ouvido comentar que ali estava se vendendo uma estante. Eu convidava pra subir e em dez minutos negociávamos um belo desconto. Além disso, eu sempre dava um abridor de vinho ou um saleiro de brinde, e lá se iam meus móveis e minhas bugigangas. Um troço maluco: estranhos entravam na minha casa e desfalcavam o meu lar, que a cada dia ficava mais nu, mais sem alma.
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..........No penúltimo dia, ficamos só com o colchão no chão, a geladeira e a tevê. No último, só com o colchão, que o zelador comprou e, compreensivo, topou esperar a gente ir embora antes de buscar. Ganhou de brinde os travesseiros.
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..........Guardo esses últimos dias no Chile como o momento da minha vida em que aprendi a irrelevância de quase tudo o que é material. Nunca mais me apeguei a nada que não tivesse valor afetivo. Deixei de lado o zelo excessivo por coisas que foram feitas apenas para se usar, e não para se amar. Hoje me desfaço com facilidade de objetos, enquanto que torna-se cada vez mais difícil me afastar de pessoas que são ou foram importantes, não importa o tempo que estiveram presentes na minha vida. Desejo para essa mulher que está vendendo suas coisas para voltar aos Estados Unidos a mesma emoção que tive na minha última noite no Chile. Dormimos no mesmo colchão, eu, meu marido e minha filha, que na época tinha 2 anos de idade. As roupas já estavam guardadas nas malas. Fazia muito frio. Ao acordarmos, uma vizinha simpática nos ofereceu o café da manhã, já que não tínhamos nem uma xícara em casa.
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..........Fomos embora carregando apenas o que havíamos vivido, levando as emoções todas: nenhuma recordação foi vendida ou entregue como brinde. Não pagamos excesso de bagagem e chegamos aqui com outro tipo de leveza.

Martha Medeiros


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quinta-feira, novembro 10, 2011

Sobre mães e filhas - parte II



Pensando a trajetória da relação mãe e filha desde o nascimento da filha até o envelhecimento da mãe, podemos observar que a principio, na infância, a filha vê a mãe como uma musa, ela quer agradar e imitar a mãe em tudo: usa seus sapatos, sua maquiagem e roupas, assim como também, utiliza frases e atitudes que a mãe costuma usar.

 A mãe por sua vez, olha para a filha e vê nesta a realização de seus desejos: trunfos, beleza, inteligência, saúde, riquezas… Porém, o ser humano é um complexo de sentimentos, e por trás desses nobres desejos, escondem-se os maléficos, os temores de que a filha irá superar a mãe em graça, beleza, e sorte na vida.

Assim, como na obscuridade, a filha sente inveja dos poderes da mãe adulta e odeia ser dependente desta, ou teme não alcançar tantas conquistas quanto a sua mãe. Uma vez que, nem mãe nem filha entram em contato com estes sentimentos hostis, eles ficam contidos e reprimidos, e muitas vezes podem vir a tona, explodindo com força total, causando muito estrago no relacionamento, análogo a força das águas que estão presas e pressionadas pelo dique.

 Já na adolescência, o quadro muda de figura, a filha começa se rebelar não aceitando a dependência da mãe, e tudo o que era bonito na mãe, começa a se tornar feio, em geral, para diferenciar-se da criança que a filha era, quando chega à fase adolescente, ela quer ser o oposto de sua mãe e acha tudo o que a mãe diz, veste ou faz antiquado. Muitas mães conseguem passar tranquilamente por esta fase, caso possam resgatar a lembrança das adolescentes que elas mesmas foram.

Porém, assim como no conto de fadas da Branca de Neve, o desabrochar da filha é como um espelho no qual a mãe pode vislumbrar o seu próprio brochar. E na inconsciência a mãe culpa a filha pela perda de sua própria juventude.

Nesta fase, em geral ocorrem muitos desencontros entre as mães e suas filhas. Algumas mães começam a se vestir como adolescentes numa desesperada tentativa de agarrar a juventude, outras mães pegam, literalmente, no pé de suas filhas, controlando-as ao máximo, impedindo-as de serem elas mesmas, como uma forma de imprimir-se na identidade da filha jovem, outras gritam e brigam pelas mínimas razões com as filhas chamando-as de ingratas, preguiçosas, namoradeiras e encontram defeitos em tudo o que as filhas fazem, retaliando-as, inconscientemente, por todo o mal que, na fantasia, esta lhe causa quando cresce.
Porém, aquelas mães que conseguem entrar em contato com a realidade psíquica – mundo interno (subjetiva) e do mundo externo (objetiva) que suas filhas não são as responsáveis por seu envelhecimento, que na adolescência faz parte a tentativa de ser o oposto daquilo que a mãe é, que ela não possui a tarefa de realizar os sonhos e expectativas de sua mãe, que aquilo que cai bem na filha provavelmente pode ficar ridículo para a mãe,
que cada uma vive as suas fases durante a vida, e que a mãe já viveu a sua adolescência e agora é a vez da filha.

Somente o contato com esta realidade interna e externa indicará o caminho pelo qual a mãe poderá encontrar os prazeres próprios da fase da vida em que vive, e principalmente poderá obter muito mais encontros do que desencontros com a filha.

Nesta etapa a adolescente quer ser escutada e levada a sério. Se a mãe puder ouvi-la, buscando legitimar seus sentimentos, muito provavelmente encontrará na filha uma escuta atenta, e as duas poderão se encontrar, exatamente dos lugares que ocupam: mãe com suas funções e filha com as suas funções. A fase adulta da filha, assim como o casamento desta e a possibilidade da mãe tornar-se avó, provavelmente nenhuma dessas etapas tão marcantes da vida passam sem desencontros, frustrações, mágoas ou ressentimentos, mas quanto mais cada qual, mãe e filha puderem observar todo evento por diferentes prismas, buscar compreender as razões que levaram cada qual a agir desta ou daquela maneira, isto é, não ficarem presas na ocorrência frustrante, e sim ver o que há por trás, ou seja, o que pode ter levado a outra a agir desta ou daquela maneira, e principalmente, não atrelarem-se aos próprios desejos e expectativas, mãe e filha poderão compartilhar muito mais as alegrias inerentes às mudanças e transformações que desencadeiam a novas etapas.

Cabe salientar que uma “boa mãe” só existe no imaginário de uma sociedade familiar idealizada, há relações mãe-filha que permitem superar suas dificuldades, enfrentando a prova do tempo e das relações, que, inevitavelmente se modificam.
O nascer de uma filha significa uma relação passível de ser eterna enquanto vivas, pois quando nasce um menino, muitas mães sentem, e não sem razão, que este homenzinho é dela até que encontre outra mulher e se case, então, a mãe será substituída, mas a filha poderá ser sua filha para sempre.
Léa Michaan,
Psicoterapeuta e Psicanalista

domingo, novembro 06, 2011

Sobre mães e filhas - parte I



Várias são as mulheres que se questionam se devem ou não tornarem-se mães. Eu como não sei a resposta, fico aqui com a função de sempre: questionar!
 Mas quero especificamente falar hoje de algo que me assombra, não tanto como no passado, visto que tenho anos trabalhado para melhorar algo que faz parte de minha história pessoal. Algo no qual luto todos os dias..
 mas como definiria esse assunto?
Problemas entre mãe e filha?
 Mas não seria apenas isso.
Trata-se de uma mãe que descontou seus problemas na filha?
Não sei! Hoje, aos 30 anos desisti de entender minha mãe!
Resolvi apenas me entender e me aceitar com toda minha história, tendo ou não uma mãe que me aceitasse. Aliás, hoje isso nem importa tanto mais.
Isso é apenas o pano de fundo, dito isto gostaria de apontar algumas questões à respeito...


Na relação mãe-filha é comum haver uma mistura de identidades, na qual uma compensa as faltas da outra. Por exemplo, se a mãe é infantil, a filha tende a ser mais madura, se a mãe é irresponsável, a filha tende a se ocupar das responsabilidades que cabem a esta mãe, se a mãe não teve, por sua vez, uma mãe suficientemente boa, ela apresentará muita dificuldade em dar a filha àquilo que não recebeu, e nestes casos há uma questão transgeracional, pois esta filha também ficará privada desta experiência e por sua vez também não terá de onde resgatar e proporcionar a sua filha, etc.
Muitas vezes, na relação com a própria filha, a mãe tenta compensar a relação mãe e filha que gostaria de ter e não teve, e a filha se sentirá encarregada de ser uma mãe para a própria mãe e começará a cuidar da mãe: lembrando-a dos compromissos, responsabilidades, ajudando com a casa, com os irmãos e dando conselhos. Outras vezes, a mãe frustrou-se demasiado com a sua própria mãe, e sem perceber, inconscientemente, faz com que a filha pague esta conta, não encontrando em si possibilidade de ser uma mãe presente, interessada e que respeita a individualidade da filha. Isto pode acontecer por um sentimento de inveja ou vingança inconsciente, pois lhe dói ver a filha receber algo que ela não recebeu. Esta dor a impedirá de proporcionar cuidados à filha, a qual se sentirá abandonada. Nestas ocasiões, também pode acontecer o oposto, uma vez que a mãe não recebeu aquilo que lhe parecia justo, então para não repetir o erro de sua mãe, ou para se recompensar da relação de intimidade entre mãe e filha que não viveu, cobrirá a filha de atenção transformando esta filha no objeto de interesse principal de sua vida. Nestes casos, além de sufocar a filha, um dia, esta mãe cobrará caro por tanta dedicação e a filha poderá sentir que possui uma dívida impagável com a sua mãe. A única maneira de cortar qualquer um desses ciclos viciosos entre mãe e filha é obtendo consciência da força motriz que movimenta esta relação tão delicada.
Desde a gravidez começam as projeções repletas de sonhos, expectativas, fantasias e desejos sobre a bebezinha que ainda nem chegou ao mundo, e assim, quando a filha nasce, ela já chega carregada de projetos e incumbências. Portanto as mães que estão tendo contato com este conhecimento, saibam que ter consciência disso já é o primeiro passo para aliviar a carga repleta de sonhos maternos dos ombros de suas filhas. Mesmo que a sua filha já esteja bem grandinha, seja até casada, ou até já possua seus próprios filhos, este saber pode fazer toda a diferença para resgatar a boa relação com a sua filha, ou melhora-la ainda mais. Aceitá-la como ela é, olhar para a filha sem expectativas, significa poder amá-la mesmo que seja bem diferente dos sonhos e desejos que projetamos nela. O mesmo vale para as filhas que carregam as suas mães dos desejos que esperam receber desta

quinta-feira, novembro 03, 2011

Só sei ser eu mesma


loseyourcontroll.blogspot.com

Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das ideias
 mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais
 fortes... tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
 Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
 Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração.
Não me façam ser quem eu não sou.
Não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente.
 Não sei amar pela metade.
Não sei viver de mentira.
 Não sei voar de pés no chão.
Sou sempre eu mesmo, mas com certeza não serei o mesmo para sempre."

Clarice Lispector

quarta-feira, novembro 02, 2011

Promessas de Casamento



"Em maio de 98, escrevi um texto em que afirmava que achava bonito o ritual do casamento a igreja, com seus vestidos brancos e tapetes vermelhos, mas que a única coisa que me desagradava era o sermão do padre. "Promete ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-lhe e respeitando-lhe até que a morte os separe?" Acho simplista e um pouco fora da realidade. Dou aqui novas sugestões de sermões:

- Promete não deixar a paixão fazer de você uma pessoa controladora, e sim respeitar a individualidade do seu amado, lembrando sempre que ele não pertence a você e que está ao seu lado por livre e espontânea vontade?
- Promete saber ser amiga(o) e ser amante, sabendo exatamente quando devem entrar em cena uma e outra, sem que isso lhe transforme numa pessoa de dupla identidade ou numa pessoa menos romântica?
- Promete fazer da passagem dos anos uma via de amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a se concretizar?
- Promete sentir prazer de estar com a pessoa que você escolheu e ser feliz ao lado dela pelo simples fato de ela ser a pessoa que melhor conhece você e portanto a mais bem preparada para lhe ajudar, assim como você a ela?
- Promete se deixar conhecer?
- Promete que seguirá sendo uma pessoa gentil, carinhosa e educada, que não usará a rotina como desculpa para sua falta de humor?
- Promete que fará sexo sem pudores, que fará filhos por amor e por vontade, e não porque é o que esperam de você, e que os educará para serem independentes e bem informados sobre a realidade que os aguarda?
- Promete que não falará mal da pessoa com quem casou só para arrancar risadas dos outros?
- Promete que a palavra liberdade seguirá tendo a mesma importância que sempre teve na sua vida, que você saberá responsabilizar-se por si mesmo sem ficar escravizado pelo outro e que saberá lidar com sua própria solidão, que casamento algum elimina?
- Promete que será tão você mesmo quanto era minutos antes de entrar na igreja?
Sendo assim, declaro-os muito mais que marido e mulher: declaro-os maduros."

     Texto de Martha Medeiros

domingo, outubro 30, 2011

O Prazer de resolver problemas

Seguir ordens é um processo penoso, pois, na maioria das vezes, representa negar nossas necessidades pessoais. Abrir mão do desejo natural de explorar o desconhecido e saber aguardar o momento justo para agir é um desafio constante que teremos que adquirir ao longo de toda nossa vida.
Quando as crianças observam os adultos tendo prazer em resolver problemas, aprendem e experimentam o mesmo prazer ao tentar resolver seus próprios problemas. Se tivermos crescido num ambiente seguro e que, ao mesmo tempo, nos encorajou para seguirmos adiante com nossas iniciativas e riscos pessoais, quando adultos seremos autônomos e, ao mesmo tempo, respeitaremos nossas necessidades naturais de dependência e proteção. Mas, se tivermos sido constantemente desencorajados a explorar o mundo à nossa volta, vamos crescer crendo que somos incapazes e que agir não leva a nada. A dor de ter nossas emoções e necessidades ignoradas ou distorcidas gera uma sensação profunda de inadequação.

Aos cinco anos de idade, já desenvolvemos uma noção clara do que podemos ou não fazer. Deixamos de agir erroneamente mesmo quando estamos a sós. Se nossos pais foram extremamente controladores, teremos facilmente a sensação de culpa e vergonha quando agirmos por conta própria, à revelia de seus comandos.

Quando crescemos, este sentimento já estará tão arraigado em nós que nem sabemos mais porque o sentimos. A questão é que quando ele se torna demasiado, perdemos tanto o desejo como o prazer de exercitar a nossa própria vontade!

Para superar esse bloqueio criativo, temos que cultivar uma nova postura interior, na qual nos vemos como criadores de nosso próprio curso de vida. Desta forma, será prazeroso nos estimularmos a assumir tanto os riscos como as suas consequências.

Para recuperar a alegria de conquistar uma nova habilidade, temos que nos conscientizar, repetidas vezes, de que não somos mais reféns do controle externo como fomos um dia.
Quando nos sintonizamos com a autorresponsabilidade e o autodomínio, somos capazes de aprender a ver os problemas não como problemas, mas como oportunidades de crescimento interior.

Lama Zopa, em seu livro Transformando problemas em felicidade (Ed. Mauad) nos esclarece que precisamos ter constantemente duas atitudes internas: 1. cultivar uma mente que não tem aversão aos problemas e 2. gerar uma mente que sente prazer em resolvê-los.

Para tanto, temos que evitar exageros. Encarar os grandes problemas passo a passo é uma forma de sermos gentis com nossos limites e incertezas. Intuitivamente, sabemos que não adianta ficarmos inquietos, com raiva ou deprimidos.

Lama Gangchen nos aconselha a substituirmos a palavra problemas por pequenas dificuldades.

Na realidade, gostamos de arranjar pequenos problemas para resolver! Pois a sensação de controlá-los mantém nosso cérebro saudável e equilibrado. Enquanto uma área do cérebro registra a chance de erro e aciona outra área que nos deixa acordados e atentos, outra área analisa a situação e traça estratégias que, por sua vez, ativa o sistema de recompensa, deixando-nos motivados e animados com o desafio.

Na medida em que resgatamos o prazer de solucionar problemas, recuperamos o prazer de viver. Afinal, problemas existem e sempre existirão!


Texto de Bel Cesar




segunda-feira, outubro 24, 2011

O que queremos da vida?



Todos nós já nascemos com tudo o que precisamos. Ao longo da vida, fatores externos acabam nos esmagando tentando dizer o quanto não somos bons o suficiente para conseguir realizar o que desejamos.


Por vários motivos, acabamos seguindo passos que na verdade não fomos nós que almejamos, e sim, os outros, pode ser a própria mãe, marido, amigos, filhos, em fim..
Para sermos aceito criamos condições de vida condizentes para manter tudo em uma certa ordem, não decepcionando ninguém...

Mas quem foi que disse que a ordem é o que o seu coração quer.

Existe um estado de alegria pura que ocorre quando você luta para ser quem você é, e faz aquilo que acredita ser o melhor para você,  te deixando no eixo.
Quando não fazemos o que desejamos, permanece um buraco dentro de nós, onde instalam-se depressões, crises de ansiedade, pânico,  insônia, etc.
Porisso analise agora o que é que mais está te afetando, impedindo você de seguir seu destino. Identifique o que é que te empoeira e te faz entristecer.

Sabe afinal o que mais queremos em nossas vidas? O que mais lutamos para conseguir?
O direito de poder sermos nós mesmos!

sábado, outubro 15, 2011

Tenho amigos para saber quem sou



Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.


Oscar Wilde

Queridos Amigos

terça-feira, outubro 11, 2011

Ser Criança



As crianças são basicamente seres emocionais. Começam a compreender o mundo que as cerca através das emoções. Da mesma forma que ainda no útero o estado emocional da mãe afeta diretamente o bebê, quando nasce a criança sente todas as emoções, expressas e veladas, de seus pais. Algumas teorias acreditam que até os 7 anos, a criança exprime o que a mãe sente, enquanto que dos 7 aos 14 anos ela representa as emoções paternas.

Isso pode significar que alguma emoção enclausurada dos pais serão manifestadas através do processo psicossomático da criança. Gripes, febres, dermatoses, dores abdominais, otites, rinites, pânico, medo, em fim ...
As crianças são os verdadeiros psicólogos da casa. Quando algo não vai bem com a família, ela consegue filtrar como se fosse uma esponja, toda atmosfera de seu meio.
Os pais dificilmente entendem isso, e acabam culpando as crianças.
Sabe quantos nãos uma criança escuta em média, por dia?
Cerca de 1000. E aprende com isso como o mundo é hostil. Onde não se pode sonhar, criar, inventar. Tudo tem que ser padronizado.
Não pode tomar sorvete quando está resfriado, nào pode pé no chão, brincar na terra, pular na chuva, fazer psicina de sabão, estudar e tirar notas boas não passam de obrigação.
Acabamos criando futuros seres humanos engessados, que aprendem a não acreditar nos sonhos!

domingo, outubro 09, 2011

DesApego

meioconfidencial.blogspot

O mundo, a família, os amigos, os mais chegados ou não, dizem- porque também assim ouviram- que devemos ficar mais ativos, cabreiros, com os pés bem atrás, ser trouxa nunca, ser esperto sempre, sem maldade jamais.
Quando você se torna um bom aluno dessa escola: Não vem de garfo que hoje é dia de sopa; você recebe o diploma de ADULTO, crescido, maduro, vivido. Então, para alguns, pode acontecer de que a própria vida nos leve para outros caminhos, de outros mundos, de outros valores, de outras propostas, com uma orquestração totalmente voltada para a eternidade, para a essência espiritual, para um DES- envolvimento.
 Aí vem a entrega/desapego. DES- aprender é muito mais difícil do que aprender. Uma vida de descoberta interna, uma rota de busca interior profunda requer entrega/desapego. Uma simples massagem requer entrega, soltar os músculos. Um abraço precisa disso...Uma sessão de terapia sem entrega se torna conversa fiada. O trabalho de des-construção é muito árduo. Por isso, para entrar profundamente no trabalho de descoberta do si mesmo mais profundo é necessário a desconstrução (com carinho e delicadeza, com orientação de preferência). Essa des-construção nos dá uma sensação interna de morte, pois o que foi construído o foi por sobrevivência e deu trabalho, colocamos energia nisso.
E a dor advinda é ainda o apego, o pé atrás. Uma das benesses que a vida nos colocou para nos ajudar nesses momentos, além de outras, é a terapia com florais. Me vem duas essências californianas: Crysanthemun e Angels Trumpet que vão estar alinhadas com essa proposta da entrega, do des-apego. Não existe um método pronto para entregar, para desapegar...A própria onda inédita da vida, única, eterna, carregada de continuidade sem travamento nos conduz a esse estado ou não...
Essas essências ajudam muito quando tomadas um bom tempo, num contexto de um trabalho intencionado para isso. A entrega é necessária no amor, na arte, no trabalho, no contato contigo mesmo, com a natureza...
E o desapego, como dizem os adolescentes de hoje, é saber que a fila anda, que a vida é dinâmica e ela tem um rítmo, apesar dela respeitar profundamente o nosso, mesmo estando muitas vezes desvinculados do dela, que é mais recomendável...Nessa nova proposta não precisamos ser bobos, nem imbecis, porém também não precisamos ficar de tocaia, des-confiando da nossa luz, da nossa origem, do nosso destino...Para ilustrar essa reflexão, ofereço um pequeno conto russo, que extraí do livro:
Histórias para acordar da Diléa Frate...Sugiro ir desarmando, baixando a guarda, respirando leve e profundo, lendo o conto com um fundo musical lindo onde Mercedes Sosa canta: Volver a sentir profundo como un niño frente a Dios.
Era uma vez uma floquinha de neve que vivia no alto de uma montanha gelada. Um dia, apaixonou-se perdidamente pelo sol. E passou a flertar descaradamente com ele. -Cuidado!!!, alertaram os flocos mais experientes: Você pode derreter. Mas a floquinha não queria nem saber e continuava a olhar para o sol, que com seus raios a queimava de amor. Ela nem percebia o quanto se derretia...Ficou ali ainda um bom tempo, só se derretendo, se derretendo. Quando viu, era uma gotinha, uma pequena lágrima de amor descendo, com nobreza e delicadeza, a montanha. Lá embaixo, um rio esperava por ela.



 "Escritos de alma para alma" no www.hercolesjaci.wordpress.com


Hércoles Jaci é Psicólogo clínico e Organizacional; formado em 1980. Doutor Honoris-Causa em Ciências da Saúde pela Unimec International e OMS-Organizção Mundial da Saúde. Mestrado em Gestão de Pessoas, Subjetividade e Análise do Discurso. Formação em terapia de família e de casais. Formação em psicoterapia sistêmica e expressão/soltura corporal. Um dos precursores da Terapia com florais no Brasil. Trabalha como psicoterapeuta, consultor e palestrante. A entrega tem sido um grande desafio como pessoa em des-envolvimento. A fé, a conexão, a generosidade e a alegria: grandes aliadas.

domingo, outubro 02, 2011

Geração descartável


O que acontece comigo é que não consigo andar pelo mundo pegando coisas e trocando-as pelo modelo seguinte só por que alguém adicionou uma nova função ou a diminuiu um pouco…

Não faz muito, com minha mulher, lavávamos as fraldas dos filhos, pendurávamos na corda junto com outras roupinhas, passávamos, dobrávamos e as preparávamos para que voltassem a serem sujadas. 
E eles, nossos nenês, apenas cresceram e tiveram seus próprios filhos e se encarregaram de atirar tudo fora, incluindo as fraldas. Se entregaram, inescrupulosamente, às descartáveis!
Sim, já sei. À nossa geração sempre foi difícil jogar fora. Nem os defeituosos conseguíamos descartar! E, assim, andamos pelas ruas, guardando o muco no lenço de tecido, de bolso.
Nããão! Eu não digo que isto era melhor. O que digo é que, em algum momento, me distraí, caí do mundo e, agora, não sei por onde se volta.
O mais provável é que o de agora esteja bem, isto não discuto. O que acontece é que não consigo trocar os instrumentos musicais uma vez por ano, o celular a cada três meses ou o monitor do computador por todas as novidades.
Guardo os copos descartáveis! Lavo as luvas de látex que eram para usar uma só vez.
Os talheres de plástico convivem com os de aço inoxidável na gaveta dos talheres! É que venho de um tempo em que as coisas eram compradas para toda a vida!
E mais! Se compravam para a vida dos que vinham depois! A gente herdava relógios de parede, jogos de copas, vasilhas e até bacias de louça.
E acontece que em nosso, nem tão longo matrimônio, tivemos mais cozinhas do que as que haviam em todo o bairro em minha infância, e trocamos de refrigerador três vezes.

Nos estão incomodando! Eu descobri! Fazem de propósito! Tudo se lasca, se gasta, se oxida, se quebra ou se consome em pouco tempo para que possamos trocar.
Nada se arruma. O obsoleto é de fábrica.

Aonde estão os sapateiros fazendo meia-solas dos tênis Nike? Alguém viu algum colchoeiro encordoando colchões, casa por casa? Quem arruma as facas elétricas? o afiador ou o eletricista? Haverá teflon para os funileiros ou assentos de aviões para os talabarteiros?
Tudo se joga fora, tudo se descarta e, entretanto, produzimos mais e mais e mais lixo. Outro dia, li que se produziu mais lixo nos últimos 40 anos que em toda a história da humanidade.

Quem tem menos de 30 anos não vai acreditar: quando eu era pequeno, pela minha casa não passava o caminhão que recolhe o lixo! Eu juro! E tenho menos de ... anos! Todos os descartáveis eram orgânicos e iam parar no galinheiro, aos patos ou aos coelhos (e não estou falando do século XVII). Não existia o plástico, nem o nylon. A borracha só víamos nas rodas dos autos e, as que não estavam rodando, as queimávamos na Festa de São João. Os poucos descartáveis que não eram comidos pelos animais, serviam de adubo ou se queimava...

Desse tempo venho eu.  E não que tenha sido melhor.... É que não é fácil para uma pobre pessoa, que educaram com "guarde e guarde que alguma vez pode servir para alguma coisa", mudar para o "compre e jogue fora que já vem um novo modelo".

Troca-se de carro a cada 3 anos, no máximo, por que, caso contrário, és um pobretão. Ainda que o carro que tenhas esteja em bom estado... E precisamos viver endividados, eternamente, para pagar o novo!!! Mas... pelo amor de Deus!

Minha cabeça não resiste tanto. Agora, meus parentes e os filhos de meus amigos não só trocam de celular uma vez por semana, como, além disto, trocam o número, o endereço eletrônico e, até, o endereço real.

E a mim que me prepararam para viver com o mesmo número, a mesma mulher e o mesmo nome (e vá que era um nome para trocar). Me educaram para guardar tudo. Tuuuudo! O que servia e o que não servia. Por que, algum dia, as coisas poderiam voltar a servir.


Acreditávamos em tudo. Sim, já sei, tivemos um grande problema: nunca nos explicaram que coisas poderiam servir e que coisas não. E no afã de guardar (por que éramos de acreditar), guardávamos até o umbigo de nosso primeiro filho, o dente do segundo, os cadernos do jardim de infância e não sei como não guardamos o primeiro cocô.

Como querem que entenda a essa gente que se descarta de seu celular a poucos meses de o comprar? Será que quando as coisas são conseguidas tão facilmente, não se valorizam e se tornam descartáveis com a mesma facilidade com que foram conseguidas?
Em casa tínhamos um móvel com quatro gavetas. A primeira gaveta era para as toalhas de mesa e os panos de prato, a segunda para os talheres e a terceira e a quarta para tudo o que não fosse toalha ou talheres. E guardávamos...

Como guardávamos!! Tuuuudo!!! Guardávamos as tampinhas dos refrescos!! Como, para quê?  Fazíamos limpadores de calçadas, para colocar diante da porta para tirar o barro. Dobradas e enganchadas numa corda, se tornavam cortinas para os bares. Ao fim das aulas, lhes tirávamos a cortiça, as martelávamos e as pregávamos em uma tabuinha para fazer instrumentos para a festa de fim de ano da escola.
Tuuudo guardávamos! Enquanto o mundo espremia o cérebro para inventar acendedores descartáveis ao término de seu tempo, inventávamos a recarga para acendedores descartáveis. E as Gillette até partidas ao meio se transformavam em apontadores por todo o tempo escolar. E nossas gavetas guardavam as chavezinhas das latas de sardinhas ou de corned-beef, na possibilidade de que alguma lata viesse sem sua chave.
E as pilhas! As pilhas das primeiras Spica passavam do congelador ao telhado da casa. Por que não sabíamos bem se se devia dar calor ou frio para que durassem um pouco mais. Não nos resignávamos que terminasse sua vida útil, não podíamos acreditar que algo vivesse menos que um jasmim. As coisas não eram descartáveis. Eram guardáveis.
Os jornais!!! Serviam para tudo: para servir de forro para as botas de borracha, para por no piso nos dias de chuva e por sobre todas as coisas para enrolar.
Às vezes sabíamos alguma notícia lendo o jornal tirado de um pedaço de carne!!! E guardávamos o papel de alumínio dos chocolates e dos cigarros para fazer guias de enfeites de natal, e as páginas dos almanaques para fazer quadros, e os conta-gotas dos remédios para algum medicamento que não o trouxesse, e os fósforos usados por que podíamos acender uma boca de fogão (Volcán era a marca de um fogão que funcionava com gás de querosene) desde outra que estivesse acesa, e as caixas de sapatos se transformavam nos primeiros álbuns de fotos e os baralhos se reutilizavam, mesmo que faltasse alguma carta, com a inscrição a mão em um valete de espada que dizia "esta é um 4 de paus".

As gavetas guardavam pedaços esquerdos de prendedores de roupa e o ganchinho de metal. Ao tempo esperavam somente pedaços direitos que esperavam a sua outra metade, para voltar outra vez a ser um prendedor completo.
Eu sei o que nos acontecia: nos custava muito declarar a morte de nossos objetos. Assim como hoje as novas gerações decidem matá-los tão-logo aparentem deixar de ser úteis, aqueles tempos eram de não se declarar nada morto: nem a Walt Disney!!!
E quando nos venderam sorvetes em copinhos, cuja tampa se convertia em base, e nos disseram: Comam o sorvete e depois joguem o copinho fora, nós dizíamos que sim, mas, imagina que a tirávamos fora!!! As colocávamos a viver na estante dos copos e das taças. As latas de ervilhas e de pêssegos se transformavam em vasos e até telefones. As primeiras garrafas de plástico se transformaram em enfeites de duvidosa beleza. As caixas de ovos se converteram em depósitos de aquarelas, as tampas de garrafões em cinzeiros, as primeiras latas de cerveja em porta-lápis e as cortiças esperaram encontrar-se com uma garrafa. 

E me mordo para não fazer um paralelo entre os valores que se descartam e os que preservávamos. Ah!!! Não vou fazer!!!
Morro por dizer que hoje não só os eletrodomésticos são descartáveis; também o matrimônio e até a amizade são descartáveis. Mas não cometerei a imprudência de comparar objetos com pessoas.
Me mordo para não falar da identidade que se vai perdendo, da memória coletiva que se vai descartando, do passado efêmero. Não vou fazer.
Não vou misturar os temas, não vou dizer que ao eterno tornaram caduco e ao caduco fizeram eterno.
Não vou dizer que aos velhos se declara a morte apenas começam a falhar em suas funções, que aos cônjuges se trocam por modelos mais novos, que as pessoas a que lhes falta alguma função se discrimina o que se valoriza aos mais bonitos, com brilhos, com brilhantina no cabelo e glamour.
Esta só é uma crônica que fala de fraldas e de celulares. Do contrário, se misturariam as coisas, teria que pensar seriamente em entregar à bruxa, como parte do pagamento de uma senhora com menos quilômetros e alguma função nova. Mas, como sou lento para transitar este mundo da reposição e corro o risco de que a bruxa me ganhe a mão e seja eu o entregue... 




 

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O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.
Martin Luther King

Constelações Familiares e o poder do AGORA

créditos de imagem para sandragamero.com Se você ainda não conhece a prática das constelações familiares esta é uma excelente oportuni...