quinta-feira, março 31, 2011

Você é feliz?


Essa pergunta te remete a quê?

A felicidade virou objeto de consumo para nós, foi ficando banalizada a ponto de não sabermos se somos felizes, de fato pelo que somos ou pelo que temos.

Daí se não temos, como ficamos?

Percebe que hoje, quem não é feliz fica um pouco excluído? É como se fosse uma marca, um rótulo, ou produto que se recebe e desembrulha... e pronto!

Como definir então essa tal felicidade?

É no seu sentido mais primário, realidade. Algo que se vive com os pés no chão e que se constrói no cotidiano das conquistas pessoais.

A felicidade é algo pessoal. Isso mesmo, a felicidade de um pode não ser a felicidade de outro. Como diz Caetano: "Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é"...

O que mais torna as pessoas infelizes é a incapacidade de aceitar a vida como ela é, na sua pura simplicidade cotidiana. Viver idealizando, fantasiando um futuro diferente, acaba criando expectativas de que as pessoas possam trazer essa felicidade. Quanto maior a expectativa que depositamos nos outros, maior a decepção.

Assim, o resultado pode ser ainda pior: a depressão!

Do otimismo para o pessimismo, que também esconde um medo profundo em aceitar o melhor que a vida pode oferecer, dentro de suas condições. Isto quer dizer, dentro da sua capacidade de buscar a realização de seus anseios. Não adianta buscar mais do que se é capaz, tão pouco, não buscar, porque se acha que tem menos a receber da vida. Ou até mesmo porque a autodesvalorização é tamanha que a pessoa se encontra num estado de envolvimento com uma onda de conformismo "normótico".

O único lugar onde mora a felicidade é no hoje, aqui, agora onde você está. O futuro só será feliz se você começar a treinar a felicidade nesse instante.

Isso mesmo, a felicidade é um treino. Como uma maratona, onde só vencem aqueles que perseveram até o fim.

Sabia que tem gente que não suporta ser feliz? A maioria não percebe, mas quando a felicidade está prestes a chegar ela boicota. Boicota a si mesmo! Pois de alguma forma se sente estrangeira no terreno fértil da felicidade, do amor próprio. É como se pensasse mais ou menos assim: "Nossa isso me deixa tão feliz, tão feliz, que acho que não mereço tanto, não sei como lidar com isso" e pronto chuta a felicidade prá longe outra vez. Só que isso acontece a nível do inconsciente. São pessoas fóbicas. Estão mais preocupadas no que vão perder, do que no que tem ganhado, ocupam um lugar de vítima do mundo. Caso tornem-se felizes não tem mais a quem culpar, do que reclamar...

Existem casais assim, que possuem uma dinâmica fóbica. Quando estão prestes a experimentarem a plenitude que o amor permite, arrumam logo um jeito de destruir tudo. Explico: sabe aquele casal que quando um quer, o outro não quer? Pois é! Não conseguem ceder quando chega o “momento” do outro, eles vivem boicotando a felicidade do casal, em nome de interesses individuais, estão em “tempos” diferentes, e por aí vai...

Tem ainda, pessoas que não suportam ver as outras felizes, vem logo com uma má notícia! Isso porque sentem-se mais poderosas e no domínio da situação quando há cheiro de infelicidade.

Como diz Wilhelm Reich, aqueles que tem estrutura de caráter masoquista, não são os que buscam o sofrimento, mas sobretudo, os que só sabem viver se houver sofrimento. Não são as pessoas que o apunhalam, é ele mesmo que dá punhaladas próprio peito. Mas sobre isso trataremos em outro momento.

Felicidade é aceitação, que pressupõe que você pode contar consigo mesmo, sem depender de outros.

Como diz Maria de Melo: "ela tem forças próprias para sair daquela posição infantil de ficar esperando que a felicidade ou alguém venham lhe dar o necessário para ser feliz..." não precisa ficar contando com um amor que vai chegar, uma comida que vai satisfazer, um salvador... O próprio corpo fica com mais energia, se mostra mais tonificado, postura ereta, esbelta, olhos brilhantes "pode se dar ao luxo de correr mais riscos pois suas expectativas são realistas e, se não derem certo, ela confia mais em si mesma para voltar... "

Sendo assim ela pode abandonar uma relação doente, ficar inconformada com o salário que recebe.

Muitos adultos que não foram alimentados de afeto na infância acham que o mundo tem uma eterna dívida com eles, ficam então, esperando que alguém venha suprir toda a carência que foi sendo produzida ao longo da infância. Sinto informá-los, mas ser feliz é ser adulto e, sobretudo, admitir seus próprios fracassos, não como culpa de outros, mas como escolhas que fizemos e que agora temos que ser maduros para transformar em oportunidade de crescimento. Muitas vezes escuto pessoas dizendo que: o namoro, casamento, amizade e até a relação com os filhos, existe para suprir algo. Se você busca um relacionamento para ser feliz, está muito enganado sobre felicidade, o mais saudável é que seja feliz e depois busque um relacionamento.

E por último, ser feliz depende da capacidade de amor que você pode oferecer, e também, de receber das pessoas. E da capacidade de admitir que não podemos ser salvadores de ninguém, nem ao menos mudar alguém.

Ser feliz depende da nossa capacidade de ir e vir, sem controlar o que os outros estão sentindo ou pensando sobre nós.

Ser feliz é ser capaz de suportar a realidade e viver menos na fantasia.

Estamos nessa vida para sermos felizes!

A felicidade se acha em horinhas de descuido!

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