quarta-feira, junho 15, 2011

Amor simbiótico






 Bert Hellinger descreve em sua teoria sobre constelações familiares, que o relacionamento de um casal é a vida em pleno desenvolvimento. Isto é, quando um casal se relaciona é como dar corda para o relógio da vida.
A consumação do amor tem um profundo efeito na alma. Através dela o homem e a mulher se viculam de forma indissolúvel.
Mas existem alguns aspectos que acabam se tornando doentios e com o tempo podem adoecer a relação de um casal.
Por exemplo: um casal simbiótico, unidos pelo sonho de união total entre os parceiros. Próprio daqueles que têm medo de se responsabilizar pela prórpia vida, de andar com as próprias pernas. De quem busca um colo, um esconderijo do seu medo da vida.
 A psicoterapeuta Maria de Melo ressalta em seus escritos que quem não confia em si tem pânico de ser abandonado.
Quem não tem pernas para se mover por conta própria é que tenta mobilizar o companheiro para garantir sua presença e passa a alimentar sentimentos de medo, raiva, inveja.
Por vezes o companheiro deseja se afastar a uma distância segura de seu parceiro apenas para procurar seu caminho, mas quem é inseguro ao extremo interpreta qualquer afastamento como abandono.
Uma relação simbiótica não oferece condições para que floresçam sentimentos bons como ternura, amor, companheirismo. Ela serve, ao contrário, para propiciar um ninho de ressentimentos, mágoas, inveja.

Conheço situações em que o casal deseja dominar os passos do outro de tal forma, que trocam seus telefones celulares para checarem as pessoas que ligam para o cônjuge.
É uma relação de muita cobrança, onde um não tem direito a nada fora do outro. A obrigação predomina! A obrigação de amar, de satisfazer.
O medo da infidelidade é o medo mascarado do abandono. É a máscara da falta de amor próprio.
É mais fácil ficar esperando que o outro nos ame, nos entenda, nos satisfaça, do que saber de nossas falhas, encarar nossos medos e nossa incapacidade de amar.

Difícil é encarar que viver como adulto significa ser o único responsável por aquilo que faz na vida. Culpar os outros é ficar esperando, na impotência, que façam algo, que mudem, que se transformem para nos atender - coisa que só dá certo com criança pequena.
Quando adultos, nossas transformações dependem unicamente de nós.

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