O que é esse tema tão polêmico? Saber amar é possível?
O psiquiatra argentino Jorge Bucay revela em seus estudos que a medida do amor é dada não pelo quanto estamos dipostos a nos sacrificar por alguém, mas o quanto estamos dispostos a desenvolver nossa autonomia.
Portanto a idéia de que quando escolhemos alguem temos que passar a sermos um só cai por terra, pois a maior riqueza de viver a dois é a possibilidade de abrir espaço para que ambos possam ser quem são.
Muitas pessoas, no entanto, acreditam que precisam renunciar a si memos para estar junto de alguém.
A verdade é que a base de uma relação está exatamente no quanto consigo ser eu mesmo quando estou ao lado de quem amo.
Jorge Bucay acredita que o amor é a disposição de trabalhar intensa e comprometidamente para a liberdade da outra pessoa. Para que ela possa ser o que quer ser, e não o que gostaríamos que fosse.
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Somos incapazes de nos enxergar por completo, para isso, durante nossa vida buscamos nos conhecer, através do outro (família, amigos, o ser amado).
Mas nenhum espelho reflete como a pessoa amada, pois temos diante de nós, alguém que nos vê. Assim, podemos nos conhecer e nos aprimorar.
Partindo nessa perspectiva, quando acusamos o outro pelos seus defeitos, estamos muitas vezes negando nossos defeitos.
Como não admitimos isso, achamos mais fácil apontá-lo fora, e não em nós.
As características que não temos não nos perturbam quando aparecem no parceiro. Só nos causa aborrecimento, o que revela uma parte renegada de nosso ser.
Sabe aquela história: vou mudar por sua causa. Desconfie!
Principalmente para as mulheres, no caso de se encantarem por um homem que diz: "Antes de te conhecer minha vida era um caos, vivia perdido no mundo, pulando de braços em braços, sem desfrutar nada. Agora com você, vivo no paraíso. Parece um sonho."
A quem deseja se aprofundar no assunto buscar leitura no livro que inspirou o texto: Amar de Olhos Abertos (ed. Sextante)