sábado, maio 07, 2011

Ser mãe para ser feliz ou ser feliz para ser mãe?


No ciclo vital da mulher há três períodos críticos: a adolescência, a gravidez e o climatério, são períodos de transição que constituem fases do desenvolvimento da personalidade e que possuem vários pontos em comum (Diniz, 1999). São fases biologicamente determinadas, caracterizadas por mudanças metabólicas e hormonais complexas; por reajustamentos interpessoais e intrapsíquicos, mas também por alterações interpessoais e interpsíquicas. Tantas mudanças podem resultar em estados temporários de desequilíbrio, e em significativas alterações na identidade da mulher devido às grandes expectativas quanto ao papel social esperado (Maldonado, Dickstein, & Nahoum, 2000).
Desde a infância as meninas treinam o papel de boa mãe, onde a mulher deve ser capaz de enormes sacrifícios, entre eles ser amável, tranqüila, compreensiva, terna, equilibrada, acolhedora, feminina em tempo integral! Espera-se um ideal, um modelo de mãe perfeita, uma imagem romanceada da maternidade construída ao longo dos últimos séculos, que está alicerçada sob um rígido padrão incapaz de admitir qualquer vestígio de sentimentos ambivalentes nas mães.
Acontece, porém, que na ocasião do nascimento de um filho, a maioria das mulheres experimentam sentimentos contraditórios e inconciliáveis com a imagem idealizada de maternidade ditada pela cultura. Desta forma, estabelece-se um conflito entre o ideal e o vivido e instaura-se um sofrimento psíquico que pode se configurar como uma base para a depressão após o parto.
Culturalmente, as representações sociais da maternidade estão fortemente calcadas no mito de mãe perfeita. Esta concepção assume proporções insustentáveis, segundo as quais acredita-se que a maternidade é inata à mulher. É a idéia de que a maternidade é parte inerente ao ciclo evolutivo vital feminino. Neste sentido, supõe-se que a mulher, por ser quem gera os filhos, desenvolve um amor inato pelas crianças e fica sendo a pessoa melhor capacitada para cuidar delas (Falcke & Wagner, 2000)
Atualmente, culpa e maternidade são quase sinônimos.
Esta resistência aponta para relação entre culpa materna e estilo de maternidade veiculado ao longo das gerações, ou seja: o homem adquire o privilégio do exercício da paternidade voluntária, enquanto a mulher se submete à maternidade obrigatória. Não existem sanções sociais para o homem quando se nega a ter filhos ou a cuidar bem deles, para mulher, entretanto, não é bem assim que funciona.
A medida em que a mulher precisa desesperadamente ser boa mãe, precisa desesperadamente que as crianças sejam bons filhos. O filho vira testemunho do seu sucesso ou do seu fracasso. E aí qualquer problema que tenha, o filho vai lidar com com as frustrações dele com as da mãe.
 Ser mãe é ser administradora, pois uma coisa é ter mãe que está fora, trabalhando, e outra coisa é sentir-se abandonado. Se o filho sente que a mãe, de qualquer forma, está presente quando ele precisa, essa é uma diferença decisiva. A maior ou menor presença junto ao filho vai depender de muitos fatores concretos.
A mãe pode estar o dia inteiro com o filho e frustrada, porque não está tocando sua vida, com um monte de raiva inconsciente por causa disso, com dificuldade de ter o coração aberto para ele.
 A mãe que se permite ter sua vida pode sentir-se  mais livre para amar.
Quem consegue dizer não, tem um sim mais cheio de valor. Não acredito em alguém frustrado, fazendo um enorme sacrifício pelo outro, e conseguindo amar.
A qualidade de amor que vem daí não pode ser boa, porque amor anda junto com prazer, mesmo no sacrifício.
Porisso ser feliz vem primeiro, ser mãe depois!

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