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Ser mãe



Quando estava ainda no primeiro ano de faculdade, li sobre a experiência feira com passarinhos pelo famoso etólogo austríaco Konrad Lorenz, cujos detalhes hoje me escapam, mas cujo sentido básico é muito interessante.
Lorenz observou que um filhote de passarinho, ao quebrar a casca do ovo, considera mãe o primeiro objeto que se mexe ao seu lado.
Ele então experimentou tornar-se mãe de alguns filhotes. Mal ele se aproximava, os passarinhos abriam o bico para serem alimentados.
Um dia ele teve que se afastar repentinamente e, ao voltar, imaginou encontrar os passarinhos mortos de fome. Para sua surpresa, os filhotes estavam se virando muito bem - sozinhos!
Lorenz repetiu a experiência de vários modos e chegou a algumas conclusões.
Se a mãe não se afasta nunca - imagine uma mãe mecânica sempre ali, disponível - os filhotes nunca aprendem a comer sozinhos e, na idade adulta, separados  da mãe, morrem de fome. A separação, portanto é essencial para o amadurecimento. Só que há um tempo adequado para a mãe se afastar do filhote. Se é cedo demais, ele não aprende a se alimentar sozinho. Se a mãe é desleixada, alimenta mal os filhos, submete-os a duras privações, eles também morrem de fome e não aprendem a comer sozinhos.
No entanto é fundamental que a mãe aproveite ao máximo os primeiros meses de presença integral junto ao filho. Aproveite para dar amor. Bobagem isso de achar que a criança as vezes deve ser frustrada para aprender.
No começo a mãe deve ser um inesgotável centro de mordomias para o filho.
O nenê chora? Deixar chorar senão acostuma mal? Coisa nenhuma. Ele chora porque está  sofrendo alguma frustração e precisa da mãe.
A realidade já se encarrega de frustrar o bebê. Ele já sente frio, calor, fome, dor, medo. Ele precisa é de muita mãe junto dele. Mãe seguindo a intuição de que não deve deixar sofrer. O bebê neste momento começa a lidar com o fato de que ele e a mãe não são uma coisa só. E quanto mais coisas boas ele obtém na relação com a mãe, com mais saúde emocional ele vai enfrentar a frustração  e a raiva pelas coisas ruins.
Se ele tem poucas compensações, a raiva torna-se muito ameaçadora.
Porém existem mães que acham que, o que dão para os filhos é sempre pouco.
Convém dizer que a mãe que está permanentemente atacada pela culpa não deve atribuir isso ao filho. Este problema está ligado mais a sua personalidade.
Mãe que fica cedendo tudo ao filho, vira aquele pai tradicional que chega em casa, dá um doce, brinca um pouco e no final das contas quem educa é a mãe. No caso dessa mãe, vejo que os filhos cutucam e provocam exatamente para pedir uma definição dela.
Mas sobre isso aprofundaremos em outro momento. Por enquanto ficam as lições da mamãe passarinho, de que mãe é aquela (aquele) que assume esse papel, isso significa que o pai também pode fazê-lo.

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