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Amar-se



Qual o tamanho da régua que mede você?
Auto estima é uma questão bastante comentada por aí, mas será que a exploramos devidamente em nossas vidas?
Estimar a si próprio, é a capacidade que possuímos de nos amar sem depender da opinião de ninguém.
A essa capacidade, atribuímos o grau de qualidade nas nossas formas de nos relacionarmos com o mundo externo.
O "auto amor" é algo que vai sendo construído ao longo do desenvolvimento infantil.


Freud nos mostra que ainda na infância, inicialmente a criança acredita na sua onipotência porque se acha amada incondiconalmente pelos pais, de forma que se identifica como sendo o ideal dos pais. Mas com o tempo percebe que não é esse ideal. Que muitas vezes para receber amor não pode manifestar seu verdadeiro eu, e para isso suprime seus desejos mais profundos e então começa a se colocar em segundo plano. Ela entende que de certa forma, precisa esconder seus verdadeiros sentimentos em troca de ser aceita, amada. A esse outro eu atribui-se o nome de eu real.
Isso gera um drama terrível, onde começamos a desgostar de nós mesmos. Instala-se então um conflito quase que permanente entre o Eu Ideal e o Eu Real. Ficamos nos culpando em não sermos como nossos pais nos querem e tentamos ao máximo disfarçar isso fazendo coisas que não condizem com nossos anseios em troca de tornar-se a idealizaçao que fizeram de nós.
Mais tarde isso irá refletir na falta de amor próprio, de auto estima, aprendemos dessa forma a não valorizar nossos sentimentos.


Pessoas que tem essa falta até conseguem ir em frente, mas é como se houvesse um buraco dentro delas, que corresponde ao afeto, ao amor incondicional que lhes foi privado nos primórdios da infância.
Quanto menor a capacidade de amar mais insegura torna-se uma pessoa. São pessoas que não conseguem tomar uma decisão sem antes consultar a opinião de várias pessoas, por vezes, sempre acreditam que suas escolhas são erradas. Desde escolhas simples como a de uma roupa para vestir a de com quem deve relacionar-se. Isso porque foi introjetando que suas opiniões eram SEMPRE invalidadas, possuindo assim, pouca capacidade de acreditar em si.
Isso pode gerar um estado melancólico, ou seja, a pessoa sente uma enorme perda, embora não saiba exatamente o que perdeu. Sente um vazio, ao contrário do luto, no qual o objeto perdido é conhecido. Ocasionando um sensação de desânimo e desinteresse pelo mundo externo. O ego torna-se pobre e vazio: é uma perda de si, do eu, que culmina num estado profundo de dor, onde o indivíduo retrai-se - sendo encontrado em vários sintomas psíquicos da depressão e do transtorno bipolar.
Freud explica que, na melancolia, o Eu Ideal se volta contra o Eu e o culpa por não ser como gostaria. Na verdade por não ser como os outros gostaria.


 Inconscientemente se recusam a crescer, pois esperam o que tinham direito e não receberam. É como se o mundo todo devesse algo a ela. Acha que deveria ter um emprego e não que deveria buscar um emprego. Não obstante, a pessoa com baixa capacidade de se amar, não o faz, pois espera que outros o façam por ela!
São extremamente críticos, exigente e reinvindicativos, possuindo caráter opositor. Não conseguem construir (um bebê não precisa contruir nada), adulto precisa realizar.
É difícil para esse tipo de adulto entrar em contato com sua falha básica, já que tem um buraco em sua personalidade.
A Análise corporal de Wilhelm Reich indica que essas pessoas tem o peito entrado para dentro = dificuldade de acreditar em si, em colocar o peito para frente e dizer: eu sou, eu posso!
Não é fácil lidar com essas pessoas, pois o seu senso de justiça não é real. Se colocam em situações de risco o tempo todo para ver se alguém poderá salvá-la. Se envolvem sempre em relacionamentos amorosos que reforçam a condição de vítima, onde o outro está ali para maltratá-la, humilhá-la.
Exitem pessoas que estão em relacionamentos doentios há anos, indo e voltando. E toda vez que está na fase do término, entram num profundo estado de desepero e recorrem a todos que estão a sua volta em busca de consolo para essa situação. O que essas pessoas querem é o afeto perdido em sua fase primária (infância), porisso se colocam em relacionamentos que reforcem isso, ora, ninguém jamais poderá suprir esse afeto, ninguém poderá ter por nós o amor incondicional que deve ser dado a criança pelos pais.
São assim vítimas pois esperam que todos se voltem para atendê-las em seu desespero de não ter recebido o amor que lhe foi negado. Espera assim que todos a entendam e sejam cúmplices de seu sofrimento.
As pessoas não compreendem em geral porque esse tipo de adulto permanece sempre em relacionamentos doentios, já que lhes causa tanta dor. É verdade que o que buscam jamais será encontrado. Esperar que o outro te ame incondiconalmente é sofrimento na certa.

A atitude de se amar tem haver com o fato de não nos abandonarmos nunca.
Adotar uma atitude amorosa diante de si, não pensar que não foi amada e simplesmente se amar!
Quando adultos temos que ser nossa própria mãe.
A realidade não tem que ser justa ou não. Nós é que temos de aprender a lidar com ela e transformá-la. Uma pessoa que se estima, que se ama, se admite como um adulto amadurecido, se reconhece como possível agente de transformação.
Certa vez assisti a uma palestra de Wilhiam Douglas onde ele disse o que aqui repito a vocês: "Não deixe na mão do outro a régua que mede o seu valor".

Comentários

  1. Daniela27/5/11

    Uau! Excellente abordagem do tema!
    É necessário adultecer para reconhecer (um pouco ou tudo isso)e iniciar a mudança.. antes tarde que nunca!

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São pessoas que esperam muito que alguém supra suas necessidades de ser feliz, ou que através da compulsão tentam tampar o buraco afetivo.

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