quinta-feira, julho 07, 2011

Dieta sem dieta - parte 2



FASE 2: Perca peso por bom comportamento
Chegou o momento de você, realmente, incorporar as mudanças à sua vida e acelerar sua perda de peso. A fase 1 criou condições para você mudar. Na 2 é hora de colocar tudo em prática.
DIA 1 – SEJA MAIS (OU MENOS) ASSERTIVO
Ser assertivo é insistir em seus direitos, é pedir aquilo que você não tem e que você quer ter. Antes de começar, analise seu grau de assertividade e aja ao contrário. Se você é assertivo, procure passar o dia em segundo plano, não reaja às críticas e deixe que a outra pessoa escolha ou decida algo por você. Se você não é assertivo, seja direto ao pedir o que quer, ao dar uma opinião e aprenda a dizer não.
DIA 2 – MUDE SEU COMPORTAMENTO EM GRUPO
Se você é daquelas pessoas que gosta de cooperar em grupo, assuma, por hoje, uma postura mais individual e faça algumas atividades sem se preocupar com os outros. Mas se você costuma ser centrada em si mesmo, faça o oposto. Ofereça apoio, ajude e saiba ouvir o grupo.
DIA 3 – MUDE SEU NÍVEL DE ENERGIA
Se você é agitado, procure reservar cinco minutos a cada hora para pensar no que quiser. Procure fazer algo devagar, desacelere. Mas se você é do tipo tranqüilo, hoje é dia de movimentar seu dia. Assuma um novo papel no grupo, faça tudo o que você faz diariamente num ritmo mais acelerado.
DIA 4 – OTIMIZE SUA FLEXIBILIDADE
Ser flexível faz você ver as oportunidades que surgem. Mas se costuma ser flexível demais, tome uma posição mais firme. Não seja tão condescendente com os outros. Já se você é rígido demais, espere a ajuda de alguém para resolver um problema, seja humilde e não faça críticas.
DIA 5 – OTIMIZE SUA ESPONTANEIDADE
Se você é espontâneo, planeje algo para o seu futuro, organize uma gaveta ou os CDs, divida o seu dia em períodos de meia hora e execute o que foi planejado. Se você é sistemático, o seu dia deve ser mais relaxado. Faça algo por impulso, ignore seus planos, divirta-se com algo fútil, não organize seu dia.
DIA 6 – AJUSTE SEU COMPORTAMENTO
Se você se considera tímido, procure participar de uma discussão e emita sua opinião, tome a iniciativa para iniciar uma amizade, sorria um pouco mais. Se você é extrovertido, escute mais e fale menos. Procure passar algum tempo sozinho e não interrompa as pessoas antes que elas terminem a frase.
DIA 7 – TENTAR SER MAIS (OU MENOS) CONVENCIONAL

Para quem é convencional, procure hoje usar roupas menos tradicionais, mudar algo em sua vida que seja muito comum. Quem age contra o convencional, por hoje terá que fazer uma escolha mais dentro dos padrões, sem ser diferente dos outros, tente optar por alternativas mais tradicionais, algo mais aceitável.
FASE 3: MUDE SEUS HÁBITOS E FAÇA TUDO DIFERENTE
Nessa semana você terá que olhar um pouco mais para si, descobrir como se comporta em relação a você mesma e às pessoas que estão ao seu redor. Mas o foco continua sendo a aquisição de novos hábitos. Sua semana será dividida em dias que você deve interagir com pessoas e dias em que deverá experimentar novas atividades
Para saber como dividir sua semana, o médico Fletcher apresenta dois testes. A partir daí ele divide a semana. Para algumas pessoas, a semana deve ter 3 dias de atividades e 4 de pessoas, para outras 2 atividades e 5 de pessoas, 5 de atividades e 2 de pessoas e assim por diante. Para você saber onde você se encaixa, analise seu modo de se comportar e de se relacionar com os outros. Se esse contato é restrito você precisa aumentar. O mesmo acontece com as atividades. Se você tem dificuldades de aumentar a variedade do que faz terá que aumentar essa capacidade.
Dias de pessoasNesses dias você terá de experimentar modos diferentes de interagir com as pessoas. Para aumentar essa interação, ouça o que elas têm a dizer, pergunte o que deseja saber a respeito delas (não presuma que já sabe tudo), elogie, faça novas amizades, ajude ou seja útil.
Dias de atividades
Varie suas atividades. Caminhe, crie algo novo, toque um projeto que está parado há anos, aprenda algo novo, mude sua aparência.
TAREFA EXTRA – ESCOLHA NA LISTA DUAS ATIVIDADES EXTRAS QUE TERÁ DE CUMPRIR AO LONGO DA SEMANA. LEMBRE-SE QUE QUANTO MAIS FUGIR DA ROTINA, MELHOR SERÁ PARA O SEU PROGRESSO
Ouça outro tipo de música
Use uma roupa diferente
Faça uma lista dos seus sonhos de infância
Faça seus filhos rirem
Cante no banheiro
Acorde em uma hora diferente
Dance sozinha por dois minutos
Saia e vá falar com um vizinho
Jogue fora algum objeto que não precisa
Desligue o celular por um dia inteiro
FASE 4: FOQUE NA TRANSFORMAÇÃO
Essa é a etapa em que você colocará um ponto final nos seus piores hábitos e se tornará definitivamente mais flexível. Para isso, deverá se concentrar no modo como você pensa.
DIA 1 – AUTO-RESPONSABILIDADE
Sua tarefa será mudar seu comportamento para aumentar sua auto-responsabilidade. Para isso tente, no dia de hoje, não inventar desculpas para seus fracassos, não culpar as outras pessoas quando algo dá errado.
DIA 2 – PERCEPÇÃO
O objetivo agora não é somente fazer algo diferente, mas descobrir algo novo que pode estar ao seu redor e você não enxerga. Para isso, preste atenção à letra de uma canção, aos sons ao seu redor, concentre-se quando estiver fazendo algo rotineiro (como dirigir o carro), descubra algo novo sobre a rua.
DIA 3 – EQUILÍBRIO
Ajuste a sua vida para ter mais equilíbrio. Avalie se você deve passar mais tempo com as pessoas queridas, se está trabalhando demais, se está na hora de se afastar de pessoas que não fazem bem a você e se está cercado de bens materiais que não têm significado para você.
DIA 4 – CORAGEM
Ser corajoso é agir sem nervosismo diante do desconhecido. Por isso, hoje você terá que se colocar em uma situação que lhe cause ansiedade (como falar em público, dizer não a alguém que a explora, pedir o que deseja sem se sentir ridícula) e também interagir com uma pessoa que lhe deixe assustada.
DIA 5 – CONSCIÊNCIA
A tarefa de hoje é ouvir sua consciência e seguir o que ela diz. Só isso. Você verá que isso aumenta o poder que você tem sobre si mesma e ainda tornará a vida um pouco melhor.
DIA 6 – INTELIGÊNCIA EMOCIONAL
Aprender a identificar as suas emoções e a das pessoas que estão a sua volta e saber usa isso a seu favor. Classifique as suas emoções, pare de reagir apenas ao que as pessoas dizem e fazem, encontre a emoção em uma situação rotineira, coloque-se no lugar do outro, expresse seus sentimentos.
DIA 7 – INTELIGÊNCIA SOCIAL
Agora que você já conseguiu trabalhar com a emoção, é hora de aprender a ajudar a sociedade. De acordo com os autores do livro, uma inteligência social ajuda a criar um sentimento interior de calor humano, afastando as emoções negativas. Faça algo em benefício de sua comunidade local.
FASE 5: ALCANCE O QUE VOCÊ DESEJA (SEU PESO IDEAL)
De acordo com Ben Fletcher, quem consegue chegar até essa fase já mudou seus hábitos, consegue ser mais flexível e até pensar como um magro. Diferente das demais fases, nessa você não terá uma tarefa a cumprir por dia e sim repetir algumas tarefas das fases anteriores de vez em quando. Você escolhe o que fazer. O importante é ter alguma regularidade, como fazê-las uma vez por semana ou uma vez por mês.

     

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    quarta-feira, julho 06, 2011

    Dieta sem dieta

    ditalegrande
    todaperfeita.com.br


    Para quem está em busca de emagrecimento do corpo, apresento algumas dicas do psicólogo comportamental, Fletcher. Segundo ele é preciso alterar o padrão de comportamento de sua personalidade. Lembrando que nosso cérebro é treinado por hábitos, à medida que formos capazes de incorporar novas práticas em nossa rotina, nosso cérebro pode também se habituar a buscar satisfação em outras coisas e não apenas a comida. Para esse psicólogo, podemos ensinar nosso cérebro a ter um pensamento magro. São divididas em 5 fases:


    FASE 1:
    Nesta fase você deverá realizar uma tarefa por dia. É importante seguir todos os passos. Se precisar parar por um dia, tudo bem. Reinicie do ponto que parou. Alem disso, você terá duas tarefas adicionais a cumprir, que pode ser realizada em qualquer dia, desde que seja dentro dessa semana.

    DIA 1 – FIQUE UM DIA INTEIRO SEM ASSISTIR À TELEVISÃO
    Provavelmente, ela foi incorporada a sua vida sem você ter percebido e esse é um hábito muito poderoso. Ao ligá-la você se desliga do mundo. Vá fazer outras atividades. Caminhe, ligue para um amigo ou até arrume aquela gaveta bagunçada que você nunca tem tempo.

    DIA 2 – ESCREVA DURANTE 15 MINUTOS

    Pode ser uma história, um poema, o início de sua biografia ou até o que você quer fazer daqui a um ano. O importante é se concentrar nessa tarefa. O objetivo é tornar claro o modo como você quer viver. A primeira linha será a mais difícil, mas não desista. Depois que você der esse passo, o texto fluirá.
    DIA 3 – NÃO CONSUMA SUA BEBIDA FAVORITA
    Você deve experimentar uma bebida diferente. Se você é daquelas que gostam muito de café, troque-o por água, por exemplo. Provavelmente seu corpo vai reagir pela falta de cafeína. Mas seja firme, essa é uma quebra de hábito importante para seu emagrecimento.
    DIA 4 – CAMINHE POR 15 MINUTOS
    Escolha o melhor horário e incorpore a caminhada na sua rotina de hoje. Caminhar é ótimo para aliviar o stress. Aproveite esse tempo livre para pensar na vida e no que você deseja.
    DIA 5 – ACORDE UMA HORA MAIS CEDO
    Programe o despertador um dia antes para não perder o horário. Acordando mais cedo você ganha mais tempo para realizar suas atividades e obrigações.
    DIA 6 – FAÇA UMA LISTA DAQUILO QUE VOCÊ DESEJA TER DAQUI A UM ANO
    Tome nota de tudo o que você deseja. Desde as pequenas mudanças até as grandes. Também faça uma lista com os passos concretos que você precisa dar para alcançar esses objetivos.
    DIA 7 – PRATIQUE UMA BOA AÇÃO
    Ajude um colega de trabalho a arrumar a mesa, um vizinho a carregar as compras ou faça algo pelo seu parceiro. Mas faça sem esperar nada em troca.
    TAREFA EXTRA – ESCOLHA DUAS TAREFAS DA LISTA ABAIXO – AQUELAS QUE VOCÊ NÃO REALIZARIA NORMALMENTE – E FAÇA DURANTE ESSA PRIMEIRA SEMANA
    Mude de jornal ou pare de comprá-lo
    Leia uma revista diferente
    Experimente comer algo que você nunca provou
    Faça uma atividade física, até aquela que você nunca praticou antes
    Pinte ou desenhe com canetas, lápis, tintas ou carvão
    Assista a um evento esportivo
    Ajude alguma entidade beneficente local
    Escreva uma história
    Vá ao cinema e assista a um filme sozinha
    Visite um museu
    Tome a iniciativa de reatar antigas amizades
    Sente-se em um lugar diferente nas refeições, no trabalho, nas reuniões

    sexta-feira, julho 01, 2011

    Qual o seu vício?

    blogdaretro.uol.com.br
    O Cérebro humano é uma máquina que aprende com os hábitos, se não fosse assim, teria que aprender a fazer tudo de novo o tempo todo. Só que o cérebro não sabe diferenciar hábitos bons de hábitos ruins. Dessa forma à medida que envelhecemos, ele passa a reagir cada vez mais por força do hábito.
    Portanto devemos analisar qual é nossa válvula de escape para os problemas do dia a dia. Essa mesma válvula é conhecida como vício.
    A maioria de nós possui um hábito corriqueiro, vício.
    Alguns aprendem que é pela boca que se pode amenizar as frustrações, e quanto menor a tolerância à frustração, maior o vício.

    A psicoterapia caracteroanalítica (análise do caráter) ressalta que se o seu cérebro aprendeu a buscar satisfação oral, ou seja, pela boca, provavelmente você busque ingerir uma grande quantidade de comida, por vezes de uma vez só. Ou busque o álcool, o cigarro, a maconha, no intuito de sentir melhor.
    Mesmo que se arrependa depois de fumar, beber, ou comer compulsivamente, a semelhança está na necessidade de diminuir a ansiedade, ou amenizar a carência, lidar com a dor de uma perda, etc.
    revistavivasaude.uol.com.br

    
    Mas o fato é que o cérebro aprendeu que é assim que se "cura" uma frustração. Claro que os vícios não são todos de caráter oral.Alguns tem a necessidade de comprar, outros de fazer sexo. As razões são infindáveis. Há pessoas que não bebem, não fumam, não come de mais, mas são verdadeiramentes obsecados por alguém, (namorado, marido), não suportam estar sozinhos.

    Nossa cultura contribui de forma grotesca para isso. Observem o que fazemos com as crianças quando elas estão frustradas por algum motivo: damos um remedinho, um mingalzinho, leitinho, uma chupeta, mamadeira...
    Tudo pela boca!
    Não suportamos vê-la chorar.
    Isso porque não estamos acostumados a acolher a dor do outro, queremos dar um analgésico para curar a dor ao invés de dar colo, de oferecer o ombro, ou quem sabe chorar junto.
    Aprendemos a ouvir: "não chore, não chore"
    Daí quando adultos não sabemos depois como lidar com a dor, a não ser que tenhamos uma válvula que momentaneamente nos ofereça paz.
    Dia desses em um hospital ouvi um profissional falar para uma senhora que acabara de perder o filho: "Não chore mãezinha!" 
    Como não chorar numa situaçao de perda como esta?
    Pelo contrário, através do choro, talvez ela possa esvair um pouco a sua dor. Muitos dias ela terá como companhia as lágrimas dessa perda irreparável.
    O fato é que somos preconceituosos com a dor do outro.
    Aliás com a nossa própria dor. Somos intolerantes conosco e porisso recorremos aos vícios.
    Ninguém chama a obesidade de vício por comida. Não sou capaz de julgar aqui se a obesidade é pior para a saúde do que o vício pelo cigarro.  Já ouvi alguém dizer: "é melhor ser gordo que ser fumante".

    Mais tarde a psicologia chamou o vício de compulsão, daí compreende-se que pelo lugar que ocupa em nossas vidas, alguns hábitos não dever ser simplesmente eliminados, pois corre-se o risco de que este seja apenas substuído por outro.
    Porisso algumas pessoas param de fumar e logo engordam.
    A intolerância a frustração, ou controle de ansiedade, ou outros motivos, acabam da mesma forma, "superados" através da oralidade, ou seja, pela boca.
    
    
    
    A teia de hábitos é incrivelmente forte. Porisso os hábitos superam a força de vontade. Se não recorrermos novos modos de satisfação, os hábitos vícios permanecerão os mesmos.

    Não podemos ser uma máquina de hábitos, tão pouco agir do mesmo modo. Identificar como estamos lidando com as frustrações, reconhecer que elas sempre vão existir independente de engordarmos nosso corpo ou nos intoxicarmos com outras drogas é o primeiro passo para desfazer essa teia que criamos.

    Seu vício diz muito sobre você. Pense nisso!

    sexta-feira, junho 24, 2011

    Saber amar


    O que é esse tema tão polêmico? Saber amar é possível?
    O psiquiatra argentino Jorge Bucay revela em seus estudos que a medida do amor é dada não pelo quanto estamos dipostos a nos sacrificar por alguém, mas o quanto estamos dispostos a desenvolver nossa autonomia.
    Portanto a idéia de que quando escolhemos alguem temos que passar a sermos um só cai por terra, pois a maior riqueza de viver a dois é a possibilidade de abrir espaço para que ambos possam ser quem são.
    Muitas pessoas, no entanto, acreditam que precisam renunciar a si memos para estar junto de alguém.
    A verdade é que a base de uma relação está exatamente no quanto consigo ser eu mesmo quando estou ao lado de quem amo.
    Jorge Bucay acredita que o amor é a disposição de trabalhar intensa e comprometidamente para a liberdade da outra pessoa. Para  que ela possa ser o que quer ser, e não o que gostaríamos que fosse.
    oestadao.com.br
    Esse mesmo especialista revela que a relação afetiva é o espelho que reflete quem somos, nossas qualidades e defeitos.
     Somos incapazes de nos enxergar por completo, para isso, durante nossa vida buscamos nos conhecer, através do outro (família, amigos, o ser amado).
     Mas nenhum espelho reflete como a pessoa amada, pois temos diante de nós, alguém que nos vê. Assim, podemos nos conhecer e nos aprimorar.
    Partindo nessa perspectiva, quando acusamos o outro pelos seus defeitos, estamos muitas vezes negando nossos defeitos.
     Como não admitimos isso, achamos mais fácil apontá-lo fora, e não em nós.
    As características que não temos não nos perturbam quando aparecem no parceiro. Só nos causa aborrecimento, o que revela uma parte renegada de nosso ser.
    Sabe aquela história: vou mudar por sua causa. Desconfie!
    Principalmente para as mulheres, no caso de se encantarem por um homem que diz: "Antes de te conhecer minha vida era um caos, vivia perdido no mundo, pulando de braços em braços, sem desfrutar nada. Agora com você, vivo no paraíso. Parece um sonho."
    Apesar do discurso encantador, um sinal de que o parceiro pode ser um bom companheiro é quando ele diz: "Antes de te conhecer, minha vida era maravilhosa. Eu era tão feliz, vivia tão bem comigo mesmo, me curtia tanto. Agora com você estou ainda melhor."




    A quem deseja se aprofundar no assunto buscar leitura no livro que inspirou o texto: Amar de Olhos Abertos (ed. Sextante)

    quarta-feira, junho 15, 2011

    Amor simbiótico

    




     Bert Hellinger descreve em sua teoria sobre constelações familiares, que o relacionamento de um casal é a vida em pleno desenvolvimento. Isto é, quando um casal se relaciona é como dar corda para o relógio da vida.
    A consumação do amor tem um profundo efeito na alma. Através dela o homem e a mulher se viculam de forma indissolúvel.
    Mas existem alguns aspectos que acabam se tornando doentios e com o tempo podem adoecer a relação de um casal.
    Por exemplo: um casal simbiótico, unidos pelo sonho de união total entre os parceiros. Próprio daqueles que têm medo de se responsabilizar pela prórpia vida, de andar com as próprias pernas. De quem busca um colo, um esconderijo do seu medo da vida.
     A psicoterapeuta Maria de Melo ressalta em seus escritos que quem não confia em si tem pânico de ser abandonado.
    Quem não tem pernas para se mover por conta própria é que tenta mobilizar o companheiro para garantir sua presença e passa a alimentar sentimentos de medo, raiva, inveja.
    Por vezes o companheiro deseja se afastar a uma distância segura de seu parceiro apenas para procurar seu caminho, mas quem é inseguro ao extremo interpreta qualquer afastamento como abandono.
    Uma relação simbiótica não oferece condições para que floresçam sentimentos bons como ternura, amor, companheirismo. Ela serve, ao contrário, para propiciar um ninho de ressentimentos, mágoas, inveja.

    Conheço situações em que o casal deseja dominar os passos do outro de tal forma, que trocam seus telefones celulares para checarem as pessoas que ligam para o cônjuge.
    É uma relação de muita cobrança, onde um não tem direito a nada fora do outro. A obrigação predomina! A obrigação de amar, de satisfazer.
    O medo da infidelidade é o medo mascarado do abandono. É a máscara da falta de amor próprio.
    É mais fácil ficar esperando que o outro nos ame, nos entenda, nos satisfaça, do que saber de nossas falhas, encarar nossos medos e nossa incapacidade de amar.

    Difícil é encarar que viver como adulto significa ser o único responsável por aquilo que faz na vida. Culpar os outros é ficar esperando, na impotência, que façam algo, que mudem, que se transformem para nos atender - coisa que só dá certo com criança pequena.
    Quando adultos, nossas transformações dependem unicamente de nós.

    quinta-feira, junho 09, 2011

    Há pessoas que nos roubam! Há pessoas que nos devolvem!

    
    Lovee :*
    ocoracaotambempensa.blogspot
    Toda relação é um encontro de subjetividade. Como diz Martin Buber, ao estabelecer contato com uma pessoa, você e ela criam uma terceira pessoa. Porisso a questão a saber é em quem você se transforma quando está com esse outro alguém que escolheu para estar.
    Nos encontros que realizamos, como é que fazemos para não perder de vista o que somos?
    Ser o que somos requer cuidados.

    O desafio é constante. O risco é iminente. É muito fácil perder a liga existencial, o cordão que nos costura a nós mesmos. É muito fácil a gente se perder na pluralidade do mundo. É muito fácil entrar nos cativeiros dos que nos idealizam, dos que nos esmagam, dos que nos desconsideram, dos que pensam que nos esmagam, dos que pensam que nos amam, dos que nos viviam, dos que penam por nós.

    Ser aprisionado no pensamento que nos impede de crer no valor de nosso potencial.

    Tudo depende da capacidade que o ser humano tem de manter-se na posse de si, mesmo quando tudo parece contrário.

    Há prisões que não são concretas, e por isso não há nada que possa concretamente ser quebrado.  
    Por exemplo, ao sentir medo que uma pessoa nos abandone estamos atribuindo a ela autoridade sobre nossas vidas. Estamos nos aprisionando a ela.

    Muitas relaçoes amorosas são ligadas pelo medo eminente do abandono do parceiro. Isso nos impõe a um cativeiro afetivo: a incapacidade em dizer não.
    Sendo assim ela mesma não quer abrir as portas do cativeiro, prefere reduzir a sua vida àquele espaço miserável que lhe  é oferecido.
    Fragilizado, o ser humano fica vulnerável, e facilmente é roubado de si mesmo. Acrítico, passa a sorver a existência sem muito pensar sobre ela. Entra no movimento doce do mundo que o entretém em vez de desafiá-lo. O ser humano vai fazendo a entrega de si mesmo em pequenas partes.
    A invasão é lenta. E o pior; é ato permitido. O nosso medo autoriza o invasor.
    Cada pessoa é uma propriedade já entregue, isto é, dada a si mesma, mas ainda precisa ser conquistada. É como  se pudéssemos reconhecer: “Eu já sou meu, mas preciso me conquistar”, porque embora eu tenha a escritura nas mãos, ainda não conheci a propriedade que a escritura me assegura possuir.
    Nós é o que sobra do encontro entre o eu e o tu. Isso nos desperta simpatias e antipatias. Gostamos mais de estar com uns que com outros. O que nos atrai no outro é a terceira pessoa que conseguimos fazer nascer com nosso encontro.
    Relações saudáveis são relações que nos devolvem a nós mesmos, e o melhor: devolvem-nos melhorados.
    thaisemoraes.blogspot
    O amor não diminui, mas multiplica!
    Inspirado em Quem Me Roubou de Mim, de Fábio de Melo.



    
    
    

    sexta-feira, junho 03, 2011

    De repente 30!


    stravaganzastravaganza.blogspot.com

    Antes dos 30 as coisas são diferentes. Claro que há algumas datas significativas, mas fazer 7, 14, 18 ou 21 é ir numa escalada montanha acima, enquanto fazer 30 anos é chegar no primeiro grande patamar de onde se pode mais agudamente descortinar.
    Fazer 40, 50 ou 60 é um outro ritual, uma outra crônica, e um dia eu chego lá. Mas fazer 30 anos é mais que um rito de passagem, é um rito de iniciação, um ato realmente inaugural. Talvez haja quem faça 30 anos aos 25, outros aos 45, e alguns, nunca. Sei que tem gente que não fará jamais 30 anos. Não há como obrigá-los. Não sabem o que perdem os que não querem celebrar os 30 anos. Fazer 30 anos é coisa fina, é começar a provar do néctar dos deuses e descobrir que sabor tem a eternidade. O paladar, o tato, o olfato, a visão e todos os sentidos estão começando a tirar prazeres indizíveis das coisas. Fazer 30 anos, bem poderia dizer Clarice Lispector, é cair em área sagrada.
    Até os 30, me dizia um amigo, a gente vai emitindo promissórias. A partir daí é hora de começar a pagar. Mas também se poderia dizer: até essa idade fez-se o aprendizado básico. Cumpriu-se o longo ciclo escolar, que parecia interminável, já se foi do primário ao doutorado. A profissão já deve ter sido escolhida. Já se teve a primeira mesa de trabalho, escritório ou negócio. Já se casou a primeira vez, já se teve o primeiro filho. A vida já se inaugurou em fraldas, fotos, festas, viagens, todo tipo de viagens, até das drogas já retornou quem tinha que retornar.
    Quando alguém faz 30 anos, não creiam que seja uma coisa fácil. Não é simplesmente, como num jogo de amarelinha, pular da casa dos 29 para a dos 30 saltitantemente. Fazer 30 anos é cair numa epifania. Fazer 30 anos é como ir à Europa pela primeira vez. Fazer 30 anos é como o mineiro vê pela primeira vez o mar.
    Na verdade, fazer 30 anos não é para qualquer um. Fazer 30 anos é, de repente, descobrir-se no tempo. Antes, vive-se no espaço. Viver no espaço é mais fácil e deslizante. É mais corporal e objetivo. Pode-se patinar e esquiar amplamente.
    Mas fazer 30 anos é como sair do espaço e penetrar no tempo. E penetrar no tempo é mister de grande responsabilidade. É descobrir outra dimensão além dos dedos da mão. É como se algo mais denso se tivesse criado sob a couraça da casca. Algo, no entanto, mais tênue que uma membrana. Algo como um centro, às vezes móvel, é verdade, mas um centro de dor colorido. Algo mais que uma nebulosa, algo assim pulsante que se entreabrisse em sementes.
    Aos 30 já se aprendeu os limites da ilha, já se sabe de onde sopram os tufões e, como o náufrago que se salva, é hora de se autocartografar. Já se sabe que um tempo em nós destila, que no tempo nos deslocamos, que no tempo a gente se dilui e se dilema. Fazer 30 anos é como uma pedra que já não precisa exibir preciosidade, porque já não cabe em preços. É como a ave que canta, não para se denunciar, senão para amanhecer.
    Fazer 30 anos é passar da reta à curva. Fazer 30 anos é passar da quantidade à qualidade. Fazer 30 anos é passar do espaço ao tempo. É quando se operam maravilhas como a um cego em Jericó.
    Fazer 30 anos é mais do que chegar ao primeiro grande patamar. É mais que poder olhar pra trás. Chegar aos 30 é hora de se abismar. Por isto é necessário ter asas, e sobre o abismo voar.


    O texto acima foi extraído do livro "A Mulher Madura", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1986, pág. 36.




    O filho do outro é um presente

      Se você se relaciona com alguém que tem filhos saiba que tudo que esse filho traz junto com ele é, de algum forma, um tipo de aprendizado ...